Quartel e lavoura

Em 29 de janeiro de 1822, o coronel João Pereira Vilaça encaminhou requerimento da 2ª e 3ª companhias do 1º regimento de 2ª linha de Belém que, em nome de seus súditos, “pediam a mudança da mostra de S. João para os dias santos da páscoa”. Argumentavam que os milicianos, “por ocasião das mostras e exercícios de S. João se veem precisados a estarem fora de suas casas, desamparando os seus recolhimentos”, porque na viagem de ida e volta a Belém, mais a estada, perdem 15 dias de trabalho na lavoura, quando a páscoa é o tempo em que estão mais desocupados dos seus serviços rurais”.

Villaça admitiu que a reivindicação era legítima e que a mudança poderia ser aplicável “a todas as mais companhias compostas de lavradores, tanto deste como do 2º Regimento”.

(Códice 785 – Arquivo Público do Pará)

Conselho de guerra

Conselho de guerra formado em 22 de novembro de 1824 para julgar os réus militares incursos no crime de deserção. Presidente, tenente-coronel graduado Francisco Marques Elvas Portugal. Interrogadores: tenente Gonçalo José Rodrigues Barata e tenente Bartolomeu Ferreira de Goes. Vogais: capitão José Aragão Figueiredo, capitão José Miguel Aires de Chermont, tenente Joaquim Antônio de Miranda, alferes José Apolinário da Veiga e alferes Manoel Simões.

(Códice 630 – Arquivo Público do Pará)

Em fuga

Em 13 de setembro de 1824, o presidente da província mandou tropa atrás de Manoel Antônio Barbosa, do seu irmão, um soldado desertor, e de outros indivíduos que os acompanhavam. Depois de serem derrotados em Cametá, eles conseguiram fugir e buscavam as vilas do sertão.

(Códice 630 – Arquivo Público do Pará)

Reunião perigosa

Em 17 de maio de 1822, a junta provisória confirmou o recebimento de informações da câmara de Cametá sobre a reunião “de soldados e pedestres desertores e pretos fugidos que nas imediações da Vila andaram perpetrando delitos”.

(Códice 629 – Arquivo Público do Pará)

Ser soldado

Em 27 de setembro de 1819, o conde de Vila Flor ordenou ao coronel Francisco José Rodrigues Barata que partisse imediatamente para Cametá e suas vizinhanças, continuando até Santarém, para recrutar 600 praças. Deveria remetê-los “em porções segundo o número que for recrutando, tendo sempre em vista a agricultura e as artes, porém examinará muito escrupulosamente que nestes dois anos tão essenciais à prosperidade do país não se cometam abusos, isto é, que o lavrador que tiver mais de dois filhos não deixe de dar os outros para o serviço, e que o mestre de ofícios não tenha tantos oficiais que aumentando-se o número de operários deixe de haver gente para o serviço, o que facilmente as autoridades, tanto civis como militares e em geral os moradores das vilas e proprietários a títulos de empregados nos seus diferentes serviços particulares não cometam o grande abuso de extraírem todas aquelas pessoas que seguem seguir a mais nobre e a mais útil de todas as vidas, a de soldado, ou para melhor dizer ainda, de defensor do Trino e da Pátria”.

(Códice 628 – Arquivo Público do Pará)

O recrutamento

A incorporação à tropa era considerada um castigo. José Narciso mandou “assentar praça de soldado” Lourenço Justiniano da Fonseca, “não só por castigo mas igualmente para dar-lhe uma profissão”, através de ofício de 30 de agosto de 1808. (Códice 627 – Arquivo Público do Pará)