A caligrafia de Patroni

Este é o ofício manuscrito que Filipe Patroni endereçou ao presidente das cortes portuguesas, em Lisboa, em 14 de abril de 1821:
Tenho a honra de comunicar a V. Exa., para a comunicar ao Augusto Congresso, as razões que julgo devem resolver as Cortes a permitir em seu seio, extraordinariamente, Deputados da Província do Grão Pará.
A extensão demasiada desta Província torna impraticável o método das Eleições aqui proposto, ao menos dentro de um grande espaço de tempo. Entretanto, o Pará deve ter seus Representantes no Soberano Congresso.
Esses dois princípios abrangem inumeráveis consequências, que o tempo me-não permite expender neste papel: mas eles estão sobejamente declarados no impresso, que já tive a honra de entregar a V. Exa, e que se distribuiu para os Deputados.
Peço a V. Exa. que faça abreviar a decisão deste negócio: há navio a partir, julgo que dentro destes cinco dias. É absolutamente forçoso enviar-se já para a minha Província um novo plano de Eleições.

7 comentários sobre “A caligrafia de Patroni

  1. ricardoconduru 15 de julho de 2022 / 15:23

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    Os fatos esquecidos da nossa história – Por Ricardo Condurú

    Ofício revela sobre o encontro de Felipe Patroni e Pinto Madeira no Ceará em 1829

    Jornal “O Espelho da justiça”, do Rio de Janeiro, nº 47, de 25 de maio de 1831, folha 5 e 6, publica carta de Joseph Elizeu da Silveira, com ataques ao anúncio publicado por Felipe Patroni no jornal Diário do Rio de Janeiro, de 18 de maio de 1831, com críticas aos membros da Assembleia Imperial. Também é reproduzido um Ofício do presidente da província do Ceará, Manoel Joaquim Pereira da Silva, de 25 de agosto de 1929, dirigido à Corte, que trata sobre a passagem de Felipe Patroni pelas vilas de Icó e Crato, no Ceará, em viagem por terra à capital do império, e seu encontro com o coronel Pinto Madeira, onde ambos teriam passado a aclamar S. M. I. imperador absoluto.

    Sr. Redator,

    Para que o respeitável público faça o contraste entre mim, e o ex-juiz de fora da Praia Grande, Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, por ora em resposta de seu infame anúncio, feito no Diário do Rio de Janeiro, nº 15, de 18 e maio, rogo-lhe em abono da verdade haja de dar lugar na sua folha ao seguinte ofício, do qual se conhece a grande constitucionalidade do tal Patroni, que já outrora foi (segundo dizem) defensor no júri de um impresso contra a augusta Assembleia; e é o próprio que com o maior excesso, trata no referido anúncio seus ilustres membros de um modo assaz criminoso, e infamatório; por isso que incurso na pena da lei: sendo verdade que no papel denominado o Velho Escapim, não existe uma só palavra, que se dirija a fazer os ataques na forma que falsamente se menciona no referido anúncio. E finalmente no tribunal competente se conhecerá a verdade, quando eu justamente [ilegível] ao júri o autor de um tão infame anúncio.

    Sr. Redator,

    Um seu constante leitor

    Joseph Elizeu da Silveira

    OFÍCIO Nº 26

    Ilustríssimo e Excelentíssimo Sr. – [ilegível]-me, por notícias vagas nesta cidade, que o bacharel Felippe Alberto Patroni, na sua jornada por terra para essa Corte, na nova comarca desta província na vila de Icó, distante desta oitenta léguas, aí principiara com o maior excesso a falar em desabono da Assembleia, tendo-o já feito nesta cidade, e a fazer ver que S. M. I. deverá ser aclamado absoluto, e outras expressões análogas a estes sentimentos. Contudo, não achou naquela vila muitos que lho aprovassem, passou-se para a vila do Crato, onde dizem ter aproveitado em chamar povos ao seu partido, e que unido ao coronel Joaquim Pinto Madeira, e outros, passavam a aclamar S. M. I. Imperador absoluto. Com estas notícias vagas reuni alguns membros do Conselho, e assentaram que visto não aparecerem partes oficiais, ou tomasse aquelas medidas de prevenção próprias a tais notícias. Assim o tenho praticado com os ofícios que a V. Exa. transmito por cópia, e a quem dirigidos. Contudo, entrei no exame de onde tinha emanado esta notícia, disseram-me que distante desta cidade tinha chegado o vigário da mesma vila do Crato, e que este era quem dizia, e como o mesmo chegasse doente da jornada, não pôde vir à cidade, dirigi-me aonde estava, com efeito, certificou-me serem tais notícias verdadeiras, ao mesmo tempo constou-me que o padre José Martiniano de Alencar, deputado por esta província à futura Assembleia, tivera uma carta de um vereador da câmara da mesma vila, em que lhe fazia ver o mesmo. Escrevi-lhe pedindo-lhe ou carta ou artigo da mesma sobre aquele objeto, e é a que consta da cópia também junta. Até a data desta nada mais me consta, e o resto da província está tranquila e unânime na constitucionalidade de S. M. I. Este coronel Joaquim Pinto Madeira, é um que há poucos tempos veio dessa Corte agraciado por S. M. I. em coronel de milícias e comandante militar das vilas do Crato e Jardim, com gratificação do mesmo comando; goza de muitos maus créditos, e os povos bastantes descontentes pelas anteriores atrocidades que ali têm cometido. Acha-se naquele comando desde 10 de abril do corrente ano. De tudo quanto houver a tal respeito irei participando a V. Exa. em todos os correios. Sirva-se V. Exa., portanto, fazer subir à Augusta Presença de S. M. I., para determinar o que for de seu imperial agrado. – Deus guarde a V. Exa., Cidade da Fortaleza do Ceará, 25 de agosto de 1829. – Ilustríssimo e Excelentíssimo Sr. José Clemente Pereira. – Manoel Joaquim Pereira da Silva, presidente.

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  2. ricardoconduru 18 de julho de 2022 / 20:53

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    Os fatos esquecidos da nossa história – Por Ricardo Condurú

    Duas escravas para Felipe Patroni

    Jornal “Diário do Rio de Janeiro”, nº 27, de 31 de outubro de 1829, folha 3, publica sobre a chegada de duas escravas e de uma cria, vindas da província de Pernambuco, para Felipe Patroni.

    NOTÍCIAS PARTICULARES

    61. O Sr. Fellippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, queira comparecer a bordo do paquete Beaurepaire, para se lhe entregar duas escravas, e uma cria, remetidas de Pernambuco, pois que este paquete acha-se neste porto há 10 dias.

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  3. ricardoconduru 19 de julho de 2022 / 22:25

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    Os fatos esquecidos da nossa história – Por Ricardo Conduru

    Félix Malcher para Presidente da República

    Jornal “O Spectador Brasileiro”, do Rio de Janeiro, nº 228, de 27 de janeiro de 1826, folhas 1 e 2, publica extratos de jornais paraenses, que revelam intrigas e denúncias envolvendo o Cônego Serra, o Major Tupinambá, Félix Malcher e Felipe Patroni. Em certo trecho, cita uma trama que tinha por objetivo a proclamação da república no Grão-Pará, cujo presidente seria Malcher, e ainda uma defesa de Malcher escrita por Felipe Patroni. O grifo no texto é nosso.

    EXTRATOS DOS JORNAIS DO PARÁ

    Sr. Administrador da Imprensa,

    Espero que V.m. me faça o obséquio inserir quanto antes na sua folha o seguinte parágrafo de uma carta do Rio de Janeiro de pessoa fidedigna, e juntamente as reflexões que o acompanham, e para não tomar a V.m. o tempo com mais preâmbulos, aí vai já o parágrafo que diz assim:

    – Cônego Serra e Major Tupinambá estão ainda aqui retidos pelo governo em consequencia de uma denúncia de [Félix] Malcher ligado com o [Felipe] Patroni de quem são inimigos capitais. – Eis aí as formais palavras transcritas tais e quais. Que lhe parece? Que tais são os patifes? Mas que digo! Isto não é caso de admiração, harmonia entre perversos é pouco durável, e é o que nos vale. Se alguma coisa me houvesse de causar espanto seria antes ver subsistir entre eles amizade por muito tempo, e para que V.m. veja se tenho razão vou em poucas palavras espor-lhe o que eu souber do caráter destes distintos personagens principiando por Patroni. Dotado de uma imaginação exaltada, de um caráter volúvel, foi este patusco sucessivamente constitucional, realista, e hoje independente, que é o mesmo que dizer que nunca foi nada, e nada é. Alternativamente liberal e servil, passando rapidamente de um a outro extremo, seria a sua conduta um fenômeno incompreensível, se não soubéssemos que há homens para tudo. Mas, enfim, não me quero alargar muito para que não vá a sua folha só ocupada com o panegírico destes heróis, portanto, deixando coisas antigas, vamos ao que serve nosso caso de agora.

    Patroni, denunciante do cônego Serra, é o mesmo indivíduo que há pouco acaba de advogar a causa do mesmo cônego. V.m., Sr. administrador, não poderá acreditar esta, porém, para remover toda a dúvida que V.m. pudesse ter a esse respeito, queira ler as seguintes palavras fielmente copiadas de uma nota que vem em um impresso intitulado – Defesa do Tenente Coronel Malcher, obra do célebre Patroni. –

    O cônego Silveira Antunes Pereira da Serra sofreu igualmente muitos sacrifícios po causa da independência, e em virtude de lhe haver prestado serviços grandes mereceu que o cabido o encarregasse da honrosa mensagem de vir à Corte felicitar a S. M. Imperial.

    Que diz a isto, Sr. administrador? O homem será maníaco? E terá o seu cérebro sujeito às influências da lua? Neste caso esperamos que brevemente se desdiga da denúncia dada, e se algum apaixonado do Sr. bacharel de eu o qualificar de maluco, desde já digo que a não ser alguma lesão dos órgãos intelectuais, é forçoso confessar que foi o Sr. Patroni impelido a proceder dessa maneira contra o seu presado amigo e patrício, por espírito de maleficência, ou por satisfazer alguma vingança particular. Mas, enfim, seja como for, o certo é que os tais sujeitinhos se vão dando a conhecer uns aos outros.

    Que diremos do grande Malcher, que é outro acusador do Serra e do Tupinambá. Este indivíduo que de homem só tem a configuração, participa da natureza do jumento; e assemelh-se ao tigre pela ferocidade, pois, assim mesmo, com estes predicados, tal é o herói que estava designado pelos de sua facção para Presidente da R…..República, que aqui pretendiam proclamar, por mais que agora o queira negar, e que tal lhe parece? Não acha ser própria para o pescoço de um burro esta joia:

    Eu ainda espero que isto não fique aqui, ainda espero desunidos Patroni e Malcher, e acusarem-se mutuamente um ao outro. Seguiria-se naturalmente agora dizer alguma coisa dos outros dois, mas creio que por vir já tarde não acharei lugar suficiente na sua folha, além disso, quem viu um, viu todos, pelo que fica dito de Patroni podem formar ideia dos outros. Mesma falta de caráter, mesma inconstância em tudo, só com a diferença que, com efeito, Malcher e Tupinambá são mais cruéis e ignorantes que o pobre bacharel, que não tem mais outro defeito que o de cabeça esquentada, bagatela, bagatela.

    Finalmente subiu o Sr. Malcher com a enchente, e desceu outro que tal com a vazante de maneira que simultaneamente puseram pés em terra num dia de glória para os imperiais, e de confusão para os carvalhaes. Bem será que estes amigos (do bom e barato) se apliquem a leitura do Vovô Maçom, que como netos ali encontrarão barrete e cassete.

    O Pimpa.

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  4. ricardoconduru 20 de julho de 2022 / 09:32

    BLOG CABANAGEM REDESCOBERTA – Por Ricardo Condurú

    Relação dos massacrados na revolta da Vila de Cametá em 1826

    Jornal “O Censor Maranhense”, nº 16, de 4 de julho de 1826, páginas 1 a 4, reproduz artigo do jornal “O Amigo do Homem”, sobre a revolta de Cametá, onde é narrada a invasão da vila em 22 de abril de 1826, e as atrocidades cometidas. Traz ainda a relação dos portugueses (chamados brasileiros transatlânticos) mortos pelos revoltosos. A relação foi adaptada para o formato do blog.

    Em o nº 49 do exímio periódico – O Amigo do Homem – de 21 de junho p. p. a página 339 observa-se o artigo seguinte concernente à Província do Pará.

    Na madrugada de 22 de abril rebentou na Vila de Cametá um vulcão revolucionário de que as lavas cobriram e abafaram muitas vítimas; é de crer que ali não seja o foco, mas foi a linha de menor resistência, que as matérias inflamadas encontraram para fazerem a explosão.

    Naquela hora, pois, em que a natureza humana descansa das fadigas do dia que já fugiu, e que um profundo sono, qual doce bálsamo, restabelece as forças, e prepara os viventes para os trabalhos do dia que segue, foram despertados os infelizes habitantes do Cametá no mais incompreensível sobressalto, ao eco horroroso da mosquetaria, ao estrondo dos machados, que derrubavam as portas, dos gritos dos assaltantes, das exclamações e gemidos das vítimas.

    O grito de guerra era o do costume; era aquele mesmo, que com escândalo da natureza, e com injúria dos direitos mais sagrados, já tantas vezes têm soado aos nossos ouvidos – Isto é nosso; morram os ladrões que nos vieram roubar o que era nosso, e viva o Imperador. – Malvados, sacrílegos, calai a boca nefanda, respeitai esse Nome Augusto, não confundais o sagrado com o mais profano, o mais vil, o mais abjeto, o mais execrando, enfim, convosco, e vossos gritos! Acaso o Augusto Imperador do Brasil é chefe de assassinos para sacrilegamente o invocardes, quando arrancias a vila a seus súditos, que são seus filhos, pois que ele se mostra seu pai pelos cuidados que lhes prodiga?

    Quanto a imaginação pode figurar de mais horrível e de mais cruel fica muito aquém do que praticaram aqueles monstros nas vítimas de sua covarde ferocidade. Arrancadas do sagrado asilo de seus domicílios em sobressalto, sem armas, e por isso sem meios alguns de defesa, uns eram arrojados em prisões, outros arrastados pelas ruas às praças públicas onde chegavam semivivos e mutilados, e depois de darem o último suspiro, ainda então lhe prodigavam estocadas, cortavam membros, disparavam tiros, talvez receosos de que algum milagre os animasse, e lhes metesse armas nas mãos, e então que seria dos cobardes assassinos!! Os que tinham sido arrojados às prisões foram depois despedaçados da mesma sorte. A pena recusa-se à narração de tantas atrocidades; limitar-nos-emos a dizer uma por todas. Dois escravos fieis, desprezando os terrores em todos derramados por tão horrorosos acontecimentos, foram juntar os pedaços dispersos do cadáver de seu senhor para lhes dar sepultura; estes escravos fieis foram fuzilados pelos monstros, pelas fúrias daquela revolta…infelizes!!! perderteis a vida pela prática de uma ação de piedade, e até generosa…mais infelizes ainda aqueles que pretendem degradar-vos ao ponto de em vós não supor virtude. Infelicíssimos, pois, aqueles, que desconhecendo a generosidade desta ação, vos não sacrificarem seus devidos elogios, só em desabono de vossa classe obscura. Nós desde já consagramos estas linhas à vossa memória; ela será respeitada pelas almas sensíveis.

    Oferecemos à sensibilidade e às lágrimas de nossos leitores a relação dos brasileiros trans-athalanticos [transatlânticos] que foram vítimas daquela revolta, não se respeitou o estado, a indústria, a representação, e nem a idade; pois que a mesma decrepitude foi sacrificada ao espírito de rapina dos revoltados.

    Lista dos brasileiros transatlânticos que eram estabelecidos, e residiam dentro da Vila de Cametá.

    Nomes / Idade, pouco mais ou menos / Estados

    Paulo Antônio da Cunha, 60, casado;

    José Francisco Cardoso, 60, dito;

    Luiz, o criado do bispo, 30, solteiro;

    José Custódio de Sousa Amorim, 46, dito;

    Manoel José de Barros, 45, casado;

    Francisco Custódio Correa, 53, viúvo;

    Antônio José de Andrade Azevedo, 51, casado;

    Manoel José Nogueira, 42, solteiro;

    João Mendes Carneiro, 54, casado;

    João Mendes da Silva, 50, viúvo;

    Antônio Mendes da Silva, 38, casado {irmão de João Mendes da Silva};

    Francisco Gonçalves Martins, 32, dito;

    Antônio, por apelido azeite doce, 34, solteiro;

    O caixeiro do dito, Luiz, dito;

    Manoel da Costa, 60, dito;

    José Antônio da Cruz, 48, casado;

    Antônio José, o contra-mestre, 65, solteiro;

    Luiz, genro do Pacheco, 30, casado;

    João Manoel da Varea, 46, solteiro;

    José Camacho de Mendonça, 65, viúvo;

    Manoel Lopes Ouruá, 48, casado;

    Antônio José de Andrade, 60, dito;

    José Antônio Moreira, 48, dito;

    Francisco Carpinteiro, 40 solteiro;

    José Pires, 80, dito;

    Martinho Lopes, 80, casado;

    José Antônio Faria, 55, dito;

    Manoel Pacheco, 35, dito;

    Francisco, caixiero de José Acácio, dito;

    Um velho que existia no sítio do falecido Francisco José Correa.

    Também foram sacrificados alguns brasileiros natos, sem outro motivo que serem homens de bem, amigos da paz e da ordem, e ter-lhes sido a fortuna favorável.

    Tais foram as desgraças da revolta do Cametá; sua narração poderá ainda regozijar algumas almas chagadas ao último grau da depravação, mas ela introduzirá o punhal do mais pungente sentimento em milhares de outras que terão por medida para seu justo pranto a lúgubre recordação desses dias de luto de Cametá.

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  5. ricardoconduru 22 de julho de 2022 / 18:45

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    Os fatos esquecidos da nossa história – Por Ricardo Condurú

    Felipe Patroni faz planos de abrir uma escola em Niterói em 1835

    Jornal “Correio Oficial”, do Rio de Janeiro, nº 96, de 23 de outubro de 1835, folha 4, publica anúncio sobre o lançamento do livro de Felipe Patroni denominado “A Bíblia do Justo Meio”. Informa ainda que Patroni pretende abrir uma escola na cidade de Niterói para explicar sua obra. Enquanto isso, no Pará, a província era governada pelo presidente cabano Eduardo Angelim.

    ANÚNCIO

    Saiu à luz a Bíblia do Justo Meio da Política Moderada, ou Prolegômenos do Direito Constitucional da Natureza explicado pelas leis físicas do mundo, por Felippe Alberto Patroni M. M. P. , natural da província do Pará, e graduado na Universidade de Coimbra. É esta obra original no seu gênero. Tem seu autor anunciado abrir uma escola na cidade de Niterói para explicar as matérias deste resumo. Vende-se a 1$000 na Tipografia Niterói, Rego e Companhia, e nesta corte na loja de Plancher na rua do Ouvidor, e em todas as mais de livro.

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  6. ricardoconduru 2 de agosto de 2022 / 20:53

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    Os fatos esquecidos da nossa história – Por Ricardo Condurú

    Felipe Patroni e a Revolução Constitucionalista

    Jornal “Correio da Manhã”, do Rio de Janeiro, nº 7989, de 14 de janeiro de 1921, folha 2, publica artigo do escritor e jornalista maranhense Manuel Viriato Correia Baima do Lago filho, sobre a atuação de Felipe Patroni, a quem chama estrela fugaz, durante o movimento constitucionalista de Portugal, iniciado em 1820. Apesar de mostrar desconhecimento sobre o destino de Patroni após fundar o jornal O Paraense, faz uma boa reconstituição do referido período, não obstante inserir pontos discutíveis.

    ESTRELA FUGAZ

    Há na história constitucional brasileira uma figura, hoje esquecida, que dá a impressão exata da fugacidade das estrelas cadentes: surde, fulge, corusca subitamente para depois desaparecer num segundo, com um ligeiro rastro de luz que logo se apaga.
    É a figura de Philippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, que os seus contemporâneos conheciam apenas pelo nome de Patroni. Foi quem primeiro deu, no Brasil, o grito em favor da revolução constitucionalista que estalou em 1820, em Portugal.
    Quase todos os historiadores apresentam o vulto de Patroni como o de um ambicioso vulgar, inquieto, impertinente, sem nenhum outro mérito que o da audácia da ambição.
    Mas quem lhe estuda atualmente a vida encontra-lhe outras virtudes – a das ideias liberais – que ele defendeu e propagou com arrojo e sacrifício. Se há nos seus movimentos impulsos de ambição, há também muito de sinceridade e principalmente um traço vivo de ingenuidade que se pode classificar de infantil, ingenuidade que foi a nota caracterizante da sua existência de revolucionário.
    Quando rebentou em Portugal a agitação constitucionalista de 1820, Patroni devia ser bem moço. Cursava o 4º ano de Direito na Univarsidade de Coimbra. As ideias do século, os princípios adiantados do momento escaldavam-lhe a juventude inflamável. Ao dar-se a revolução, parte imediatamente para a sua terra natal – o Pará.
    Lá chega em meados de dezembro, carregado de malas atulhadas de impressos incendiário. O terreno era bom para a propaganda. O marquês de Vila-Flor, que governava a capitania, tinha ido ao Rio [de Janeiro] casar-se, e o governo que o substituia não possuia as mesmas energias do marquês.
    Patroni multiplica-se, em poucos dias faz-se querido, em pouco tempo domina os espíritos. E a sua atividade é tão grande que, a 1º de janeiro de 1821, a tropa sai à rua e proclama a sua adesão à carta constitucional que as cortes confeccionavam em Lisboa.
    Forma-se, então, a junta governativa, junta revolucionária que daí por diante deve governar a capitania. Patroni é a figura predominante do movimento e não pode ser posto a parte. Mas é lei fatal das revoluções: são sempre aqueles que as fazem que menos se aproveitam delas.
    Para o moço liberal e para os seus amigos a decepção foi cruel – Patroni não teve uma colocação na junta. Por menos ambicioso que ele fosse, isso o devia abalar profundamente. Começa a hostilizar a junta. Esta é composta toda de portugueses, tendo apenas um nome brasileiro – o vigário capitular Romualdo Antônio de Seixas, que depois tomou vulto na história.
    Patroni grita por toda parte, cercado de amigos. É necessário incluir os paraenses no governo! É necessários satisfazer o sentimento nacional!
    Os seus gritos tem eco. A junta compreende que a hostilidade se avoluma. Anuncia-se a eleição para dois membros paraenses.
    As esperanças do estudante acendem-se. Mas naquele tempo o predomínio era dos velhos. Para ser alguma coisa na vida era preciso ter barbas brancas e achaques de reumatismo. Ninguém tinha confiança na juventude. Faz-se a eleição e saem vitoriosos o coronel Geraldo José de Abreu e José Rodrigues de Castro Góes. Patroni é posto novamente à margem.
    A sua atividade, tocada pelo despeito, assanha-se. É o maior inimigo da junta governativa. Espalhe impressos, escreve, persegue. E não é um inimigo que se despreze. Ao seu lado está quase toda a população nativa da capitania. O rapaz tinha tido a habilidade de tocas as cordas do nativismo brasileiro.
    A junta está em embaraços. O único meio é abrandar a chama perseguidora de Patroni. Começam os démarches para um acordo.
    Os amigos do estudante propõem que o senado da câmara de Belém o eleja deputado às cortes reunidas em Lisboa. Ah! Não é possível. A vereação não era corpo eleitoral.
    Afinal a questão é ladeada. A junta concorda a mardar Patroni a Lisboa comunicar a adesão da capitania e lá ser, junto às cortes, o procurador de todos os interesses do Pará.
    Ali estava o ardil. O moço revolucionário caiu redondamente no laço.
    Imaginou ingenuamente que, com aqueles poderes que o governo lhe delegava, ele era nem mais nem menos que um deputado às cortes.
    A delegação tinha, na realidade, um tom dúbio. Só um refinado espertalhão seria capaz de descobrir-lhe o fundo falso. Patroni era muito moço para conhecer os truques políticos.
    E partiu afoitamente para Lisboa.
    Quando se fez, em Portugal, o movimento constitucioinalista de 1820, a maior preocupação dos portugueses era a adesão do Brasil. A revolta tinha tons moderadíssimos. Não pregava a queda da monarquia, nem a da família bragantina, e o rei, o Sr. D. João VI, estava em terras brasileiras.
    O que os revolucionários queriam no princípio era apenas a carta constitucional. Mas, sem a adesão do Brasil, podia tudo fracassar. O rei, apoiado pelos seus súditos brasileiros, poderia apelar para a santa aliança, formada em 1815 pelos soberanos da Áustria, da Rússia e da Prússia, e estaria todo o caldo entornado.
    Em Lisboa, esperava-se o apoio do Brasil como se espera a notícia de um grande sonho realizado.
    Os olhos dos agitadores estavam mais voltados para Pernambuco. Fazia poucos anos que estourara a revolução pernambucana de 1817, e estando ainda os seus chefes no cárcere, era de esperar que o sentimento revolucionário não se tivesse ainda apagado na capitania. Pernambuco facilmente se incendiaria com as notícias de Lisboa.
    E todos os dias se esperavam novas agradáveis da terra em que o padre Roma morreu.
    Um dos maiores dias do movimento constitucionalista de Portugal foi aqule que chegou a Lisboa a notícia da solidariedade da Bahia. O recinto das cortes encheu-se dos vultos mais brilhantes da revolução. Antes de começarem os trabalhos, Fernandes Thomaz levanta-se e grita três vivas comovidos à Bahia, vivas que os deputados e povo responderam calorosamente. Frei Vicente da Soledade, em plena sessão, em meio a um silêncio majestoso, ergue graças a Deus pela significação do acontecimento.
    Dia maior foi aquele da notícia de que o Rio, até ali assustadoramente silencioso, aderira aos gritadores de Portugal.
    Era a 27 de abril de 1825. O ministro da marinha estava no teatro de S. Carlos, quando a correspondência do Brasil lhe chegou às mãos. O titular, amocionado, manda parar a representação e, diante do público, em cena aberta, lê a notícia da adesão do Rio. Não se descreve o delírio que eletrizou Lisboa. Essa noite foi uma noite de festas, flores e passeatas cívicas em todos os bairros. No dia seguinte a sessão das cortes teve um esplendor de vitória. O povo cobriu de rosas as cadeiras dos deputados. D. João VI foi chamado “O melhor dos soberanos”. Durante uma semana Lisboa não conseguiu apagar o seu entusiásmo festivo.
    Mas, o primeiro pedaço brasileiro a aderir à revolução, foi o Pará. A primeira notícia que a Portugal chegou do apoio de uma capitania do Brasil foi levada por Patroni.
    Esse fato lhe deu uma importância e um brilho excepcionais.
    Quando o estudante chegou a Lisboa, em abril de 1821, os corações dos portugueses estavam fundamente oprimidos pelas incertezas da solidariedade dos brasileiros. Patroni deu aos revolucionários a impressão de um ramo de oliveira que os irmãos do Brasil lhes mandavam. Ia vingar o movimento liberal. Aquele ramo de oliveira era o sinal de que a terra de ultramar não era tão sáfara como se teve receio que fosse.
    Ao chegar a Lisboa a decepção de Patroni foi dolorosa. Ele, que ao partir do Pará se imaginava deputado às cortes, ao chegar na capital portuguesa teve o desgosto de saber que era apenas um emissário da junta governativa de sua terra. O seu primeiro cuidado, ao entender-se com a regência, foi legalizar os seus títulos, ou melhor, torcer as coisas de modo que fosse considerado um representante do povo paraense na assembleia constituinte. Mas, consultadas as comissões de constituição e poderes das cortes, elas delicadamente cortaram as aspirações do moço brasileiro.
    O parecer das comissões foi feito de modo a não irritar o mensageiro paraense, naquele momento em que Portugal fazia questão de vida e de morte do apoio do Brasil. Apesar do imenso desejo que a assembleia tinha de entrar logo em relação com a deputação do Pará, por ter esta “capitania a primazia na tão suspirada adesão do Brasil”, não podia aceitar o jovem estudante porque os seus papeis não o nomeavam representante da nação! Mas, por uma exceção raríssima, a assembleia devia ouvi-lo, em plenário, como delegado do governo do Pará.
    No dia 5 de abril as cortes reuniram-se para ouvi-lo. Foi o dia mais brilhante da curta vida política de Patroni.
    Era o primeiro brasileiro que falava diante da assembleia constituinte, era a primeira vez que o Brasil mandava a sua voz em prol das conquistas liberais.
    As galerias do parlamento encheram-se. Patroni tomava a feição de um animal exótico.
    O agitador paraense não se satisfaz em dar singelamente a notícia da solidariedade da sua terra. Pespega um discurso, um longo discurso ruidoso, com todas as flores retóricas mais usadas na época.
    Foi realmente o seu maior instante de glória. A assembleia aclamou-o estrondosamente.
    Os aplausos influiram no espírito de Patroni. Esqueceu-se do parecer das comissões das cortes e recomeçou o trabalho, para ser considerado deputado. Tudo que era possível mexer, mexeu. A ingenuidade levava-o aos passos mais infantis. Em pouco tempo havia caído no ridículo. Era “o moço que queria ser deputado”.
    A assembleia, como uma compensação, ou para ver-se livre dele, ofereceu-lhe uma distinção – o ingresso permanente na tribuna destinadas às altas figuras. Para quem queria ser representante do povo, era muito pouco.
    Patroni demora-se algum tempo em Lisboa, sempre atenazando os ouvidos dos próceres do movimento para que seja reconhecido deputado. Em portugal, as ideias revolucionárias fazem-lhe arder a cabeça. Já não é somente o homem que trabalha em prol de uma constituição. Quer agora também a independência do Brasil.
    Ao lado de ideias tão liberais não era possível que o elemento escravo o não interessasse. Volta-se a propaganda da abolição da escravatura. No Indagador Constitucional escreve artigos retóricos em favor da ideia, e remete para o Pará impressos que manda distribuir entre os negros.
    Com aquela atividade, com aquela inteligência, e com aquele fogo da juventude, devia ir longe o rapaz.
    A sorte, porém, não o havia talhado para as ascensões.
    Desiludido em Portugal, volta, em 1822, para o Pará. Os escravos recebem-no como a um redentor. Todo o elemento popular o festeja.
    Mas quem predomina no governo é o elemento português, e o moço estudante já mostrou que quer a independência do Brasil.
    Patroni funda o jornal O Paraense, para propagar as ideias avançadas e combater a junta governativa. É a sua desgraça. A junta, em junho de 22, processa-o por um artigo violento contra o rei e remete-o preso para Lisboa.
    Daí por diante apaga-se o nome de Patroni. Não se sabe se morreu em Lisboa ou se abandonou completamente as preocupações políticas.
    Não é, no entando, uma figura que se possa esquecer. Há nele um tom de energia e de vitalidade que impressiona.
    Se o seu nome não ficou gravado imperecivelmente na história, foi porque ele atravessou a vida como uma estrela cadente que passasse pelo céu: surdiu, brilhou, fulgiu para desaparecer num segundo.

    Viriato Correa.

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  7. ricardoconduru 6 de agosto de 2022 / 11:49

    BLOG CCABANAGEM REDESCOBERTA

    Os fatos esquecidos da nossa história – Por Ricardo Condurú

    Prédica de Patroni na primeira sessão preparatória da Câmara dos Deputados em 1842

    Jornal “Sentinela da Monarquia”, do Rio de Janeiro, nº 190, de 26 de abril de 1842, folha 4, publica sobre a primeira sessão preparatória da Câmara dos Deputados, de onde extraímos trecho da fala de Felipe Patroni, em que afirma ter sido o primeiro no Brasil a ideia da maioridade do imperador D. Pedro II.

    CÂMARA DOS DEPUTADOS

    PRIMEIRA SESSÃO PREPARATÓRIA EM 25 DE ABRIL DE 1842

    Ontem, pelas 10 horas da manhã, procedeu-se a primeira sessão preparatória na Câmara dos Srs. deputados. (…). Depois de tomarem assento em seus respectivos lugares, seguiu-se uma prédica do Sr. Patroni (…).

    “Não é meu propósito agora, Srs., propor um libelo de reivindicação (à cadeira presidencial), para haver a mim os direitos que alguém presuma dever atribuir-me, por ter sido eu o primeiro que no Brasil propaguei a majestosa ideia da maioridade imperial do Senhor D. Pedro II pelo meu “Correio do Imperador”, cujo nº 1 saiu a lume no dia 15 de novembro de 1836; nem profeta e apóstolo por aquela escritura, nem doutor ou evangelista pela composição da “Bíblia do Justo Meio” e “Álgebra Política, ou Cartilha Imperial”: nada disto vereis nunca inculcar-me, para que possa ter lugar o – sic vos non vobis – do mantuano vate!

    “Não penseis que me oponho à aclamação já feita do Sr. Martins Francisco, porque sou eu o primeiro a honrar os Srs. Andradas, e disso tenho dado bastantes provas, até no meu “Correio do Imperador”; mas eu quero ordem; e a ordem natural, política e religiosa exigia que eu aclamasse para presidente o Sr. V. Henriques Rezende, porque, além de muitas outras qualidades pessoais, e haver servido de presidente desta casa com bastante dignidade, tem a seu favor o sacerdócio católico, que é a ordem das ordens.”

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