Presos na fortaleza da Barra

Havia 179 pessoas cadastradas, em 25 de agosto de 1835, para receber ração no 5º corpo de artilharia de posição de 1ª linha na fortaleza da Barra. A tropa era composta por: major comandante (Anselmo Joaquim da Silva), um ajudante (que então estava preso), quatro 1ºs tenentes (mais um do 5º batalhão de caçadores), sargento ajudante, sargento quartel mestre, furriel, corneta, 32 soldados artilheiros (mais quatro do 5º batalhão). Havia 11 familiares de oficiais. Estavam presos o capitão Varella e 13 soldados sentenciados ou por sentenciar. Mais 95 familiares e 10 escravos de algumas dessas famílias.

(Códice 526 do Arquivo Público do Pará)

4 comentários sobre “Presos na fortaleza da Barra

  1. ricardoconduru 30 de maio de 2022 / 23:09

    BLOG CABANAGEM REDESCOBERTA – Por Ricardo Condurú

    Eduardo Angelim chefia o Partido Consevador em Barcarena na eleição de 1868

    “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro, nº 265, de 23 de setembro de 1868, folha 1, publica carta particular que trata das eleições gerais ocorridas em setembro de 1868 no Pará, coincidindo com as comemorações pela independência do Brasil. O autor faz uma análise das eleições o do clima reinante entre os partidários liberais e conservadores, citando Eduardo Angelim como chefe do partido conservador na freguesia de Barcarena, onde exercia grande influência sobre o povo da região. Ressalta-se que apenas alguns trechos da referida carta são reproduzidos aqui.

    INTERIOR

    PARÁ

    [Belém] – 9 de setembro [de 1868]

    Enquanto não chega o Sr. Conselheiro José Bento, presidente nomeado para esta província, vai ela atravessando pacificamente a quadra eleitoral deste mês, que é sempre uma crise mais ou menos cheia de receios em toda a parte.

    Não quero com isto dizer que a presença de S. Exa., o Sr. Conselheiro Bento, produzisse aqui efeito contrário. Sou incapaz de fazer tão grande injustiça a seu caráter. Pelo contrário, confio muito na sua prudência e no zelo com que S. Exa. há de querer guardar o bom conceito e o bom nome que tem adquirido, para não vir perder no Pará, e já no fim de seus velhos anos, esses bens preciosos que tanto se custa ganhar.

    O que quero dizer simplesmente é que o ilustre Sr. Visconde do Arari continua a administrar esta província com satisfação e aplauso de todos os homens de bem.

    A circunspecção com que sempre procede seu bom-senso prático, a retidão dos seus atos, e deve-se dizê-lo, a fortuna de sua casa, que é a mais opulenta do Pará, são coisas aqui bem sabidas e constituem verdadeiras garantias para todo o mundo paraense.

    Cito com satisfação um fato que revela bem o grau de confiança que se tem na administração do Sr. Arari.

    Desde a calamitosa insurreição de 1835, que se conhece com o nome de cabanagem, nunca o dia de nossa independência se passou aqui sem temor muito sensível da parte dos portugueses residentes, e mesmo dos que são nossos compatriotas, por naturalização ou por haverem adotado o Brasil por sua segunda pátria.

    Nesse dia quando coincide, como o atual, com o das eleições gerais, os aguadeiros desaparecem, os carroceiros, bolseiros e cocheiros fazem outro tanto, muitos negociantes de pequeno trato trancam suas portas, e alguns retiram-se com suas famílias para bordo de qualquer navio português que haja no porto.

    Esse ano, porém, apesar de não haver força de linha, a confiança pública foi tal que todas as casas portuguesas de comércio estiveram de portas escancaradas, ninguém se lembrou de sair da cidade, e ainda menos de ir para bordo de qualquer navio, e até foi raro o aguadeiro e o boleeiro que não quis aparecer.

    Pela primeira vez não houve falta de carros nesse dia memorável.

    E, coisa notável, apesar do empenho e dos esforços com que o jornal de Belém, órgão dos conservadores, procurou fazer crer que os liberais queriam a revolução, nunca a população do Pará deu tão completa demonstração de confiança na administração, e mais formal desconsideração àquela estranha e impertinente invenção do Jornal de Belém.

    – Aludi ao dia 7 de setembro e à eleição geral. Devo falar agora diretamente sobre estes dois pontos.

    (…)

    Creio que o delegado, que é um homem muito inteligente, e terá convencido, como eu e como a maioria dos homens desapaixonados, que o partido liberal do Pará tem sido, e tudo indica que continuará a ser, um garante de ordem, um sustentáculo das instituições, e que o partido de ideias mais avançadas e exaltadas tem sido e continuará a ser, como tudo indica, o partido conservador. Basta dizer que é a este último que se agregam os restos dos crentes exaltados de 1835.

    (…)

    Consta-me que em Barcarena os conservadores ganham as eleições.

    O Sr. Eduardo Angelim, que é ali o chefe do partido conservador, é homem em quem os conservadores da capital têm uma confiança ilimitada, porque reconhecem sua grande influência na massa do povo daquela freguesia. É um aliado muito prestimoso, de quem eles dispõem e com quem contam.

    (…)

    (Carta Particular)

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  2. ricardoconduru 5 de junho de 2022 / 21:34

    BLOG CABANAGEM REDESCOBERTA – Por Ricardo Condurú

    Ofício revela sobre o encontro de Felipe Patroni e Pinto Madeira no Ceará em 1829

    Jornal “O Espelho da justiça”, do Rio de Janeiro, nº 47, de 25 de maio de 1831, folha 5 e 6, publica carta de Joseph Elizeu da Silveira, com ataques ao anúncio publicado por Felipe Patroni no jornal Diário do Rio de Janeiro, de 18 de maio de 1831, com críticas aos membros da Assembleia Imperial. Também é reproduzido um Ofício do presidente da província do Ceará, Manoel Joaquim Pereira da Silva, de 25 de agosto de 1929, dirigido à Corte, que trata sobre a passagem de Felipe Patroni pelas vilas de Icó e Crato, no Ceará, em viagem por terra à capital do império, e seu encontro com o coronel Pinto Madeira, onde ambos teriam passado a aclamar S. M. I. imperador absoluto.

    Sr. Redator,

    Para que o respeitável público faça o contraste entre mim, e o ex-juiz de fora da Praia Grande, Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, por ora em resposta de seu infame anúncio, feito no Diário do Rio de Janeiro, nº 15, de 18 e maio, rogo-lhe em abono da verdade haja de dar lugar na sua folha ao seguinte ofício, do qual se conhece a grande constitucionalidade do tal Patroni, que já outrora foi (segundo dizem) defensor no júri de um impresso contra a augusta Assembleia; e é o próprio que com o maior excesso, trata no referido anúncio seus ilustres membros de um modo assaz criminoso, e infamatório; por isso que incurso na pena da lei: sendo verdade que no papel denominado o Velho Escapim, não existe uma só palavra, que se dirija a fazer os ataques na forma que falsamente se menciona no referido anúncio. E finalmente no tribunal competente se conhecerá a verdade, quando eu justamente [ilegível] ao júri o autor de um tão infame anúncio.

    Sr. Redator,

    Um seu constante leitor

    Joseph Elizeu da Silveira

    OFÍCIO Nº 26

    Ilustríssimo e Excelentíssimo Sr. – [ilegível]-me, por notícias vagas nesta cidade, que o bacharel Felippe Alberto Patroni, na sua jornada por terra para essa Corte, na nova comarca desta província na vila de Icó, distante desta oitenta léguas, aí principiara com o maior excesso a falar em desabono da Assembleia, tendo-o já feito nesta cidade, e a fazer ver que S. M. I. deverá ser aclamado absoluto, e outras expressões análogas a estes sentimentos. Contudo, não achou naquela vila muitos que lho aprovassem, passou-se para a vila do Crato, onde dizem ter aproveitado em chamar povos ao seu partido, e que unido ao coronel Joaquim Pinto Madeira, e outros, passavam a aclamar S. M. I. Imperador absoluto. Com estas notícias vagas reuni alguns membros do Conselho, e assentaram que visto não aparecerem partes oficiais, ou tomasse aquelas medidas de prevenção próprias a tais notícias. Assim o tenho praticado com os ofícios que a V. Exa. transmito por cópia, e a quem dirigidos. Contudo, entrei no exame de onde tinha emanado esta notícia, disseram-me que distante desta cidade tinha chegado o vigário da mesma vila do Crato, e que este era quem dizia, e como o mesmo chegasse doente da jornada, não pôde vir à cidade, dirigi-me aonde estava, com efeito, certificou-me serem tais notícias verdadeiras, ao mesmo tempo constou-me que o padre José Martiniano de Alencar, deputado por esta província à futura Assembleia, tivera uma carta de um vereador da câmara da mesma vila, em que lhe fazia ver o mesmo. Escrevi-lhe pedindo-lhe ou carta ou artigo da mesma sobre aquele objeto, e é a que consta da cópia também junta. Até a data desta nada mais me consta, e o resto da província está tranquila e unânime na constitucionalidade de S. M. I. Este coronel Joaquim Pinto Madeira, é um que há poucos tempos veio dessa Corte agraciado por S. M. I. em coronel de milícias e comandante militar das vilas do Crato e Jardim, com gratificação do mesmo comando; goza de muitos maus créditos, e os povos bastantes descontentes pelas anteriores atrocidades que ali têm cometido. Acha-se naquele comando desde 10 de abril do corrente ano. De tudo quanto houver a tal respeito irei participando a V. Exa. em todos os correios. Sirva-se V. Exa., portanto, fazer subir à Augusta Presença de S. M. I., para determinar o que for de seu imperial agrado. – Deus guarde a V. Exa., Cidade da Fortaleza do Ceará, 25 de agosto de 1829. – Ilustríssimo e Excelentíssimo Sr. José Clemente Pereira. – Manoel Joaquim Pereira da Silva, presidente.

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  3. ricardoconduru 11 de junho de 2022 / 23:13

    BLOG CABANAGEM REDESCOBERTA – Por Ricardo Condurú

    Félix Malcher para Presidente da República

    Jornal “O Spectador Brasileiro”, do Rio de Janeiro, nº 228, de 27 de janeiro de 1826, folhas 1 e 2, publica extratos de jornais paraenses, que revelam intrigas e denúncias envolvendo o Cônego Serra, o Major Tupinambá, Félix Malcher e Felipe Patroni. Em certo trecho, cita uma trama que tinha por objetivo a proclamação da república no Grão-Pará, cujo presidente seria Malcher, e ainda uma defesa de Malcher escrita por Felipe Patroni. O grifo no texto é nosso.

    EXTRATOS DOS JORNAIS DO PARÁ

    Sr. Administrador da Imprensa,

    Espero que V.m. me faça o obséquio inserir quanto antes na sua folha o seguinte parágrafo de uma carta do Rio de Janeiro de pessoa fidedigna, e juntamente as reflexões que o acompanham, e para não tomar a V.m. o tempo com mais preâmbulos, aí vai já o parágrafo que diz assim:

    – Cônego Serra e Major Tupinambá estão ainda aqui retidos pelo governo em consequencia de uma denúncia de [Félix] Malcher ligado com o [Felipe] Patroni de quem são inimigos capitais. – Eis aí as formais palavras transcritas tais e quais. Que lhe parece? Que tais são os patifes? Mas que digo! Isto não é caso de admiração, harmonia entre perversos é pouco durável, e é o que nos vale. Se alguma coisa me houvesse de causar espanto seria antes ver subsistir entre eles amizade por muito tempo, e para que V.m. veja se tenho razão vou em poucas palavras espor-lhe o que eu souber do caráter destes distintos personagens principiando por Patroni. Dotado de uma imaginação exaltada, de um caráter volúvel, foi este patusco sucessivamente constitucional, realista, e hoje independente, que é o mesmo que dizer que nunca foi nada, e nada é. Alternativamente liberal e servil, passando rapidamente de um a outro extremo, seria a sua conduta um fenômeno incompreensível, se não soubéssemos que há homens para tudo. Mas, enfim, não me quero alargar muito para que não vá a sua folha só ocupada com o panegírico destes heróis, portanto, deixando coisas antigas, vamos ao que serve nosso caso de agora.

    Patroni, denunciante do cônego Serra, é o mesmo indivíduo que há pouco acaba de advogar a causa do mesmo cônego. V.m., Sr. administrador, não poderá acreditar esta, porém, para remover toda a dúvida que V.m. pudesse ter a esse respeito, queira ler as seguintes palavras fielmente copiadas de uma nota que vem em um impresso intitulado – Defesa do Tenente Coronel Malcher, obra do célebre Patroni. –

    O cônego Silveira Antunes Pereira da Serra sofreu igualmente muitos sacrifícios po causa da independência, e em virtude de lhe haver prestado serviços grandes mereceu que o cabido o encarregasse da honrosa mensagem de vir à Corte felicitar a S. M. Imperial.

    Que diz a isto, Sr. administrador? O homem será maníaco? E terá o seu cérebro sujeito às influências da lua? Neste caso esperamos que brevemente se desdiga da denúncia dada, e se algum apaixonado do Sr. bacharel de eu o qualificar de maluco, desde já digo que a não ser alguma lesão dos órgãos intelectuais, é forçoso confessar que foi o Sr. Patroni impelido a proceder dessa maneira contra o seu presado amigo e patrício, por espírito de maleficência, ou por satisfazer alguma vingança particular. Mas, enfim, seja como for, o certo é que os tais sujeitinhos se vão dando a conhecer uns aos outros.

    Que diremos do grande Malcher, que é outro acusador do Serra e do Tupinambá. Este indivíduo que de homem só tem a configuração, participa da natureza do jumento; e assemelh-se ao tigre pela ferocidade, pois, assim mesmo, com estes predicados, tal é o herói que estava designado pelos de sua facção para Presidente da R…..República, que aqui pretendiam proclamar, por mais que agora o queira negar, e que tal lhe parece? Não acha ser própria para o pescoço de um burro esta joia:

    Eu ainda espero que isto não fique aqui, ainda espero desunidos Patroni e Malcher, e acusarem-se mutuamente um ao outro. Seguiria-se naturalmente agora dizer alguma coisa dos outros dois, mas creio que por vir já tarde não acharei lugar suficiente na sua folha, além disso, quem viu um, viu todos, pelo que fica dito de Patroni podem formar ideia dos outros. Mesma falta de caráter, mesma inconstância em tudo, só com a diferença que, com efeito, Malcher e Tupinambá são mais cruéis e ignorantes que o pobre bacharel, que não tem mais outro defeito que o de cabeça esquentada, bagatela, bagatela.

    Finalmente subiu o Sr. Malcher com a enchente, e desceu outro que tal com a vazante de maneira que simultaneamente puseram pés em terra num dia de glória para os imperiais, e de confusão para os carvalhaes. Bem será que estes amigos (do bom e barato) se apliquem a leitura do Vovô Maçom, que como netos ali encontrarão barrete e cassete.

    O Pimpa.

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  4. ricardoconduru 13 de junho de 2022 / 19:53

    BLOG CABANAGEM REDESCOBERTA – Ricardo Condurú

    Félix Malcher, o Tigre Acaraense

    Jornal “O Spectador Brasileiro”, do Rio de Janeiro, nº 228, de 27 de janeiro de 1826, folhas 2 e 3, publica violenta carta do intitulado “Pimpa” contra Félix Antônio Clemente Malcher, a quem acusa de promover o roubo, a perseguição e morte de portugueses, de ser republicano, e até de ter responsabilidade na morte de mais de 250 pessoas no navio brigue Palhaço. Sendo Pimpa um declarado inimigo de Malcher, todas as reservas são necessárias na leitura e interpretação da escrita; porém, dados os devidos descontos aos possíveis exageros, vislumbra-se fatos novos no período que se seguiu à adesão do Pará à independência do Brasil, como a existência de um forte grupo republicano, tendo como um dos líderes Malcher, já descrito em outra carta de Pimpa como almejador da presidência da república. Ressalta-se ainda a descrição de Malcher como o “tigre Acaraense”. Esse apelido irá ressurgir em diversos periódicos por ocasião da eclosão da cabanagem.

    Senhor Administrador,

    Ainda hoje as nações com desprezo se recordam da memória de Heróstrato, por haver reduzido a cinzas o magnífico templo de Diana [Ártemis] em Éfeso. Heróstrato, de nascimento vil, nada empreendia fazer, que fosse capaz de granjear-lhe crédito, a excessão de por em prática aquilo que a sua natural vileza lhe ditava. Por isso, reduzindo o templo a chamas, julgou adquirir um nome mais durável que o mármore e bronze, não se lembrando que com ele só o alcançaria uma fama tanto abominável quanto eterna.

    Assim aconteceu ao execrável e sempre malvado Tigre Acaraense (*), que por seus detestáveis procedimentos é geralmente conhecido no céu, no inferno, e no mundo velho e novo por sanguinário monstro da humanidade. Este malvado tigre acaraense, não possuindo proporções para fazer-se ilustre pelas ciências, artes, e virtudes, por lhe haver negado a natureza tão singulares dons, que só concede a estes de espíritos bem formados, pretendeu fazer-se célebre, constituindo-se principal instrumento de mil coisas, que cada uma delas mais nefanda é que a destruição do templo de Diana.

    Aparece vil criatura, trinta mil vezes mais vil que Heróstrato, e ouve a justa narração de uma pequena parte que forma a tremenda e horrível série dos mais iníquios fatos de que é autor. Heróstrato se limitou a destruir um edifício material, porém, tu avançaste a mais; conchavaste a muitos inexperientes teus patrícios para votarem em teu favor quando se tratava de organizar uma junta governativa, que bem administrasse a província. Conseguiste criminosamente ser membro do governo, e manhoso promoves a sizânia e a rivalidade entre o bom povo da capital. Dado este 1º passo rápido navegas em direitura à vila de Cametá, e ali de acordo com o sempre mau, ladrão, matador, o execrável Roxinho, decretas o roubo, a morte, e a perseguição eterna contra os filhos de Portugal, já então cidadãos brasileiros. Ao teu regresso para a capital os cametaenses, aqueles, digo, só discípulos da tua doutrina, se transformam em feras, declaram a anarquia e a porfia, roubam bens e vidas de um grande número de indivíduos sumamente úteis à sociedade! O dinheiro extorquido e o luso sangue derramado naquele só distrito não farta tua vontade; e por isso de cá mesmo animas e recomendas aos chefes daquelas legiões de demônios levem o mesmo gênero de estragos às vilas de Oeiras, Portel, Melgaço, Ilha de Joanes, Igarapé-Miri e outros pontos da província, e por último se dirigissem à capital a fim de operarem as mesmas atrocidades. Aferventas a discórdia na cidade, declaras-te inimigo acérrimo do então presidente da junta [Geraldo José de Abreu], por ser só o único que obstava a execução dos teus iníquios projetos. Vomitas os mais escandalosos impropérios contra o Exmo. prelado diocesano, calunias desapiedadamente a pessoa do arcediago, desfechaste a raiva e o ódio contra todos os cidadãos, como estes, honrados, tementes a Deus, fieis ao Soberano e às suas leis, aferrolharte em ediondos cárceres a virtude, premiaste o vício, e com estusiasmo fazes aparecer e vigorar a confusão pavorosas entre filhos e pais, entre irmãos e parentes, entre maridos e esposas, entre brancos e pretos, entre senhores e escravos! Depois de haveres feito em pedaços os laços da freternal Sociedade Paraense, ainda não satisfeito apresentas contra esta já em extremo consternada Belém o roubo e o assassínio!!! Foste causa de passarem desta para a outra vida 250 e tantos brasileiros a bordo do navio Palhaço. Baniste das nossas fileiras os mais hábeis oficiais. Demitistes dos lugares civis aos mais honrados indivíduos, investindo nos empregos vagos a apaniguados teus, tão perversos como tu. Degradastes 700 e tantos chefes de famílias ficando estas assaz expostas às tristes consequencias de uma época de fatalidades. Somas avultadas de dinheiro arrecadastes de muitos indivíduos a quem tinhas dado palavra de não entrarem na lista dos deportados, o que todavia assim não sucedeu. Sepultaste finalmente a pátria, e sobre a ensanguentada campa tentaste levantar a estátua emblema da república, e proclamares-te absoluto chefe dela!!! Que responde a isto, horrendo monstro republicano? Ah, que glória não seria a tua se conseguisses a consumação dos teus projetos, e que dia viesse que ditasses a lei que deverá reger a opulenta república do vasto Amazonas! Diz-me, furioso vovô republicano, quanto não exultarias vendo-te no trono rodeado de teus súditos, e que estes te entoassem hinos de Paiquicé, Tupinambá, Comeran [Camecran?], e …. acompanhados de rebeca de branco, flauta de pardo, e marimba de preto!!! Etc., etc., etc.

    Horroroso monstro, cruel matricida! Põe termo às tuas iniquidades, abandona esses vis espectros, tais como tu, qua ainda entre nós vagueiam, dá graças à Providência, e tributa guardião ao Augusto Soberano que benigno te concede ainda essa escalvada cabeça sobre os ombros.

    Sr. Administrador, sou seu.

    O duas vezes Pimpa.

    (*) O apelido desta fera principia pela palavras com que se escreve mal, malvado, maldito e assemelha-se com a palavra francesa Malchus, que significa alfange curvo: parece que é aquela besta de dois cornos que trata o apocalipse chamada iperaspiste, que significa escudeiro do anticristo, de cuja boca viu o evangelista vomitar negras blasfêmias.

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