Contra os independentes

Em 18 de setembro de 1922,  a junta provisória de governo comunicou ao ouvidor ter recebido denúncia de que João Marques de Matos “entretém correspondência com o execrável Sandoval de Laxª, e que tem espalhado ideias perturbadoras, inconstitucionais e tendentes a dividir esta Província da Mãe Pátria”. A junta diz que pediu ao governador das armas para prendê-lo e colocá-lo incomunicável na fortaleza do castelo. Informa ainda que as testemunhas são Manoel Luis de Paiva e Antônio José da Silva Moreira, negociante em Belém.

Matos é preso na fortaleza do Castelo, enquanto Batista Campos, Miguel Cerqueira, Amândio Oliveira, João Anastácio e Pedro Henriques ficam na fortaleza da Barra.

O ouvidor pedira para ser dispensado da diligência sobre os presos da fortaleza da Barra, mas a junta lhe respondeu, em 22 de agosto de 1822, que “não admite nem admitir pode que V. Mce. seja dispensado da referida diligência; antes pelo contrário espera que V. Mce., na conformidade das ordens que se lhe enviaram, prossiga com toda a eficiência e assiduidade na mesma diligência (…)”.

(Códice 629 – Arquivo Público do Pará)

20 comentários sobre “Contra os independentes

  1. ricardoconduru 21 de julho de 2020 / 17:05

    O estandarte vitorioso do império nas torres de Belém

    Correio Official, do Rio de Janeiro, nº 98, de 22 de outubro de 1838, folha 2, cita um manifesto de Angelim e cita que “tremula hoje ovante nas torres de Belém o estandarte vitorioso do império”.

    PARTE NÃO OFICIAL

    Não nos cansaremos em analisar esse manifesto imenso, tão longo que parece feito de propósito para ninguém ler. O estilo conciso e enérgico, caráter distintivo das peças desta natureza, é no manifesto do caudilho substituído por uma exposição pretensiosa e afetada. O trocadilho de palavras não supre a energia do estilo, nem tampouco a aleivosia e a mentira à franqueza e à justiça. Passemos adiante.

    E, pois, jogaram os rebeldes a última carta de sua influência moral. Eduardo ou Angelim também fez seu manifesto, e no entanto tremula hoje ovante nas torres de Belém o estandarte vitorioso do império. Em nosso entender esse manifesto dos rebeldes não fez mais do que dizer o que todos Sabíamos, e a ninguém surpreendeu. O governo deve responder-lhe somente com força e mais força.

    (Blog Cabanagem Redescoberta)

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  2. ricardoconduru 21 de julho de 2020 / 17:07

    Notícias sobre o confronto no rio Acará ocorrido em 1834

    Jornal “A Quotidiana Fidedigna”, da Paraíba, nº 20 , de 27 de janeiro de 1835, reproduz carta do capitão James Ingles ao presidente da província do Pará, Bernardo Lobo de Souza, referente aos acontecimentos ocorridos no rio Acará, que antecederam a tomada de Belém pelos Cabanos em 7 de janeiro de 1835. A referida carta consta no livro de Domingos Antônio Raiol, Motins Políticos (Segunda edição, páginas 527 e 528/editora da UFPA) com algumas poucas variações, como o nome da localidade onde os legalistas fundearam (Guiabal ao invés de Goiabal) No livro de Raiol há ainda a relação dos mortos e feridos, o que não ocorre na edição da “Quotidiana”. O objetivo aqui é mostrar que o acontecimento teve repercussão em outras províncias.

    Artigos oficiais sobre a derrota dos revoltosos no Rio Acará.

    Ilmo. e Exmo. Sr. – Não obstante ofício, que tive honra de dirigir a V. Exa. em data de 27 do corrente, ao qual acompanhou o termo e as representações dos dois comandantes; contudo às sete horas da noite do mesmo dia suspendi, a fim de dirigir-me à fazenda de Malcher, tendo durante a viagem, de noite, havido no mato alguns tiros de espingarda: às dez horas da noite fundeei, e às 4 horas da madrugada de hoje suspendi e chegando ao lugar determinado às 7 horas e 15 minutos, tendo sofrido algum fogo no caminho, desembarcou a tropa em uma campina, ao lado da fazenda, e seguiram as embarcações a fundearem em frente das casas, onde julgava estarem os facinorosos; porém, tão infelizmente que saltando a maruja em terra, e depois de ter passado revista, não se encontrou pessoa alguma; ordenei que se atacasse fogo às casas, e incendiando tudo, a exceção da igreja, que em nada se lhe buliu, retirou-se a tropa e maruja para bordo, e suspendendo, fundeei no lugar – Guiabal – onde espero as ordens de V. Exa.

    Louvo muito o comportamento e subordinação tanto da tropa como da marinha, e em particular o portador deste, o 2º tenente Francisco Xavier de Alcântara (o qual informará a V. Exa. algumas coisas mais circunstanciadas) e os 2ºs ditos Jaime David Brício e José Maria Pereira

    Igualmente recomendo o prático – Lourenço Antônio Serrão, que com toda a segurança levou ao destino competente as embarcações, sendo um seu irmão vítima dos facinorosos por saberem ser aquele o prático encarregado da comissão.

    Nesta ocasião regressa para a cidade o major Seixas, o qual se ofereceu para todo o serviço e poderá também informar de algumas coisas a V. Exa., assim como também vai um marinheiro dos da lancha que tinha vindo com o falecido Nabuco.

    Inclusa envio a V. Exa. a relação dos mortos e feridos. Deus guarde a V. Exa. Bordo do brigue Cacique em o Rio Acará, 28 de outubro de 1834. – Ilmo. e Exmo. Sr. Bernardo Lobo de Souza, presidente desta província. Guilherme James Ingles, capitão de fragata, comandante.

    (Do Mercantil)

    (Blog Cabanagem Redescoberta)

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  3. ricardoconduru 22 de julho de 2020 / 16:30

    Sobre a prisão de Eduardo Angelim no Rio de Janeiro

    Texto publicado no Jornal “O Brasil”, do Rio de Janeiro, nº 150, de 13 de julho de 1841, folha 2. De forma irônica, relata sobre a manifestação de Eduardo Angelim em uma sessão na câmara dos deputados, no Rio de Janeiro, durante seu exílio, e que teria motivado sua prisão. Porém, a publicação mostra uma outra versão para o fato. A grafia foi atualizada.

    As ufanias do Sr. Antônio Carlos.

    Maldita polícia que em tudo se intromete, maldito governo tão perseguidor que até prende cidadãos pacíficos, virtuosíssimos, pelo grande crime de simpatizarem com o Sr. Antônio Carlos [Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva], e de o chamarem patriarca! Que inaudita tirania! Nem na Turquia existe igual! Eis o caso narrado pelo mesmíssimo Sr. Antônio Carlos em plena Câmara. O famoso Eduardo Angelim, o chefe da feroz sublevação do Pará, anistiado pelo gabinete de 23 de julho, assistia uma vez a sessão da câmara temporária; falava o belíssimo orador, e tanto foi o entusiasmo do ouvinte que exclamou como Simão, o justo, ao ver o menino Jesus – Agora morro contente porque vi este patriarca. – Desgraçadamente a polícia não gosta dos entusiastas do patriarca, os seus agentes ouviram o mísero andradista… e por tamanho crime, ei-lo numa masmorra, no fundo de uma fortaleza! Foi a própria mulher do Eduardo que narrou esse fato assombroso ao patriarca, e este, que de tão sôfrego anda por elogios, acreditou-os logo, e foi alardeá-los na câmara, como ainda há pouco alardeava a confiança que nele diziam que tinham os caudilhos do Rio Grande, sem atender que, ainda quanto fosse verdadeira a historieta, há elogios que mais comprometem e envergonham do que abonam e engrandecem. – Um elogio de Eduardo Angelim, do feroz assassino que tantas vítimas sacrificou no mísero Pará, uma simpatia desse homem! .. Ah! Como não viu o Sr. Antônio Carlos que é essa a mais ignominiosa censura de todo o seu proceder?

    Cumpre todavia restituir o fato ao fato a sua exatidão. Ainda não farto de sangue, o anistiado Angelim ao chegar ao Maranhão, lugar marcado para sua residência, teve a coragem de manifestar os planos de vingança que fomentava, de ameaçar a vida de um seu próximo parente. À vista disso, o Sr. Luís Alves de Lima sentiu quão perigosa seria a sua conservação na província, e o remeteu para a corte. O governo, vendo por tantos exemplos, e ainda pela recentíssima fuga do Onofre [Onofre Pires da Silveira Canto, um dos líderes da Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul], quão difícil é conservar aqui seguro algum indivíduo, mandou-o prender até poder mandá-lo para outro ponto do império, em que o facínora não possa mais cometer atentados. Eis o fato tal qual ocorreu: Achará agora o Sr. Antônio Carlos, que devia o governo deixar plena liberdade ao tigre para saciar-se de vítimas? Não seria o governo cúmplice de todos os atentados que ele de novo praticasse? Ah, Sr. Antônio Carlos, a mal pensada anistia que V. Exa. aconselhou, que referendou o seu colega, o Sr. Limpo [Antônio Paulino Limpo de Abreu], soltou a muitos Angelins; consinta que ao menos o gabinete atual procure evitar crimes e desgraças de que seriam vossas excelências responsáveis. E se algum dia Eduardo Angelim, Vinagre, Onofre, os Carneiros, os homens da Caqueirada ou quaisquer outros heróis que acobertam seus odiosos crimes com paixões políticas, mostrarem simpatias, entusiasmo pelas opiniões que na tribuna expende, arrependa-se delas; pois essas simpatias são provas de que suas opiniões pretextam paixões odiosas e provocam o derramamento de sangue.

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  4. ricardoconduru 23 de julho de 2020 / 14:09

    “O Senhor dos Exércitos abençoe vossas armas”

    Publicação do jornal maranhense “Echo do Norte”, e depois reproduzida no “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro, nº 219, de 6 de outubro de 1835, folha 2, publica proclamação de Francisco Vinagre para a guarnição militar, afiançando a segurança de pessoas e fazendas, entregando “vossa guarda e cuidado todo o zelo e defesa de seus interesses”. Ressalta-se que Vinagre cita ter convidado o corpo de comércio para que continuasse nas funções de seu gênero de vida e informa que “suas casas de negócios vão abrir-se”. A grafia foi atualizada.

    PROCLAMAÇÕES

    – Brava guarnição militar! Parabéns vos sejam dados pelo novo e glorioso triunfo da liberdade paraense! Graças infinitas se vos preste por todos os liberais da terra: louvores mil se vos dediquem em retribuição de vossos trabalhos e fadigas pela doce independência do nosso país natal. Vós, guardas nacionais, municipais e tropas de primeira linha, cidadãos todos paraenses, todos brasileiros, dignos do singular nome de homens livres, aceitas os agradecimentos que desta maneira vos faz o vosso patrício presidente: supra a vossa generosidade a falta de minhas expressões com que quisera bem dignamente tecer o elogio que mereceis pelo empenho e defesa da mais justa causa da liberdade, que é a única natural, a mais amiga e a mais prazenteira do vivente racional. O senhor dos exércitos abençoe vossas armas. Ele fortalece o vosso espírito e a imortalidade eternize fossos feitos.

    Patrícios! Vós tendes visto o quanto até aqui tenho feito em apoio de nossa causa, sacrifícios de toda a espécie tenho suportado para vossa glória; e para remate de nossa fortuna, nada mais resta do que a união. Eu tenho direito a vossa amizade e respeito, a natureza partilhou comigo patriotismo e franqueza; tudo o mais ignoro, e nada mais desejo que a ventura de nossa pátria; para conseguirmos o fim da nossa obra preciosa é necessário garantirmos as vidas e fazendas de quantos quiserem seguir fielmente nosso destino. Ser filho deste ou daquele país nada influi, o homem de razão preza a virtude, exista ela embora neste aqui, ou naquele de acolá; o homem em toda a parte deve amar o homem e respeitar suas virtudes, assim como aborrecer e punir indistintamente os vícios. Briosa guarnição militar! A maior das glórias é sustentar a ordem depois dos combates, eu acabo de convidar o corpo do comércio da nossa praça para que desembarque, e continue nas funções de seu gênero de vida. Eu lhes afiancei toda a segurança de pessoas e fazendas, suas casas de negócios vão abrir-se, eu entrego a vossa guarda e cuidado todo o zelo e defesa de seus interesses, do que resulta o nosso crédito e felicidade. O mundo civilizado observa nossas ações, ele é o supremo juiz a quem só compete julgar nossa causa.

    Palácio do Governo do Pará, 19 de maio de 1835. – Francisco Pedro Vinagre, Presidente.

    (Echo do Norte)

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  5. ricardoconduru 24 de julho de 2020 / 15:50

    Negociação de 6 mil voluntários ingleses para serem empregados na pacificação do Pará

    O primeiro artigo, publicado originalmente no ” Journal du Commerce”, da França, faz uma análise sobre a regência de Diogo Feijó. Em determinado ponto é citado que “o Marquês de Barbacena foi a Inglaterra para negociar o engajamento de 6.000 voluntários, que seriam particularmente empregados na pacificação do Pará”. Tal afirmativa foi depois contestada em outro artigo do mesmo jornal, mas em data diferente, onde consta que tal iniciativa “causaria provavelmente a perda da administração que a tivesse ordenado”. De ambos os artigos, foram mantidos apenas os trechos que tratam da província do Pará. A grafia foi atualizada.

    Jornal “O Universal”, de Minas Gerais, nº 67, de 6 de junho de 1836

    FRANÇA

    O BRASIL E O SEU NOVO REGENTE

    Artigo traduzido do Jornal do Commercio

    (…)

    Em verdade, o estado de coisas reclamava toda a solicitude do novo regente: a guerra civil se tinha ateado nas duas extremidades do império: no Pará, onde tanto sangue se tem derramado sem vingança: em Porto Alegre, onde um chefe militar tinha usurpado a autoridade provincial. Dizia-se também que os bandos fanáticos, e meios selvagens dos cabanos, que se julgava exterminados, tinham reaparecido pelas extensões das matas impenetráveis das Alagoas, prestes a continuar uma horrível luta de assassínios e devastações. E para combater este tríplice inimigo, nenhum exército, uma marinha fraca e mal disposta, e unicamente uma Guarda Nacional! Porém, apressemo-nos em dizer que a Guarda Nacional, dirigida por Feijó, equivale a um exército aguerrido. Já na curta existência de seu ministério, Feijó mostrou o partido que podia tirar desse corpo que lhe é todo votado. Por espaço de seis meses, em uma época muito crítica, na falência de qualquer outra tropa que servisse para a polícia, soube submeter à Guarda Nacional a um serviço extraordinário e penoso, sem que as privações de toda a casta que ela tinha de sofrer esfriassem por um instante sua coragem: assim confessava ele então que devia ao patriotismo e a intrepidez da Guarda Nacional a salvação da capital do império. Este fiel auxiliar jamais lhe faltará.

    Parece, segundo as mais recentes notícias, que as desordens do sul não tiveram as sérias consequências que se temiam, e, de fato, haviam muitos elementos de ordem e tranquilidade entre a população ativa e laboriosa da província de S. Pedro, para que pudesse continuar este estado de hostilidade contra o governo; ela pôde ser surpreendida pela audácia de um chefe ávido e brutal, mas não podia tardar em reconhecer que uma desobediência prolongada à autoridade legal traria consigo a ruína de todos os interesses. De um outro lado, as qualidade pessoais e os talentos do novo presidente que lhe tinham sido dado, devem com efeito ter contribuído para acalmar a irritação dos espíritos. Este novo presidente é o Sr. José de Araújo Ribeiro, deputado pela mesma província à Assembléia Geral Legislativa, e que exerceu o ano passado as funções de Ministro Plenipotenciário do Brasil junto à Corte de Inglaterra.

    As desordens do Pará serão mais difíceis de sufocar. Muita incúria e vagar presidiram as primeiras medidas que se tomaram para comprimir a revolta. E de mais, a marinha, que fazia toda a força do governo central, não se dirigia senão com muita repugnância para essas praias ensanguentadas, onde a guerra civil não lhe oferecia nem proveito nem glória. Acrescentemos a isso que a imensa distância que há entre o Pará e o Rio de Janeiro, junta a incerteza e as contrariedades inseparáveis das comunicações marítimas, subtraindo a província insurgida a ação imediata do governo, deve necessariamente paralisar uma parte dos seus esforços. Entretanto, o novo regente não perdeu as esperanças de a reduzir à ordem. Aos recursos que lhe oferece o país quis ajuntar alguns meios mais eficazes, e, por ordens suas, segundo se diz, o Marquês de Barbacena foi a Inglaterra para negociar o engajamento de 6.000 voluntários, que seriam particularmente empregados na pacificação do Pará.

    (Continuar-se-á)

    Jornal “O Universal”, de Minas Gerais, nº 68, de 9 de junho de 1836, folha 3

    EXTERIOR

    Continuação do artigo traduzido do Jornal do Commercio de França.

    De resto, é preciso que se saiba que essas desordens, a que o Governo do Brasil procura por um termo, não tem influído de modo algum nas populações pacíficas das grandes províncias centrais. O fogo da insurreição não se estende além do espaço onde se ateou a primeira faísca.

    (…)

    A confiança renasce, e com ela a multiplicidade de transações, a circulação dos capitais e a prosperidade pública e individual. Deve-se notar que as notícias dos acontecimentos do Pará não impediram que os fundos públicos subissem até 96, fenômeno financeiro ainda não visto! No princípio de dezembro estavam em 90, e geralmente se supunha que o pagamento dos juros das apólices do mês de janeiro os traria de novo ao par. Nós os vemos também muito creditados na praça do comércio de Londres, onde os 5 por cento tem-se cotado hoje a 85 ½.

    (…)

    Em resumo, Diogo Antônio Feijó nos parece ser o único homem capaz, nas atuais circunstâncias, de presidir aos destinos do Brasil: precedentes o provam. As classes abastadas e esclarecidas prestar-lhe-ão o necessário apoio, porque deverão a sua segurança; e o baixo povo, ainda lembrado deste ministério formidável aos vadios e desordeiros, respeitará uma autoridade que deve muito bem conhecer. Acrescentemos que todas as potências da Europa que entretém relações com o Brasil não podem ver na escolha do novo regente senão um acontecimento do mais feliz agouro, porque ele assegura uma proteção eficaz ao comércio e um acolhimento lisonjeiro às artes e à industria.

    (Do Jornal do Commercio)

    Jornal “O Universal”, de Minas Gerais, nº 72, de 17 de junho de 1836, folhas 1 e 4.

    EXTERIOR

    FRANÇA

    Paris, 8 de março.

    SOBRE O BRASIL

    (Carta ao redator do Journal du Commerce)

    O artigo que apareceu em vosso número de 20 de fevereiro debaixo do título Do Brasil e do sue novo Regente, é mui notável quanto à exatidão de uma parte das observações que apresenta, para que se deixe de retificar o que ele contém de inexato em outras, como por exemplo, o anúncio da denominada missão confiada ao Marquês de Barbacena para engajar 6.000 voluntários. As notícias oficiais, a tendência da opinião pública, as disposições da Câmara dos Deputados, que nos são bem conhecidas, concordam entre si para que se deva negar crédito a um boato, além disso, tão vago, de que nos admiramos que tenha achado acolhimento em um artigo tão consciencioso. O Brasil fez tão tristes e dispendiosas experiências com o emprego de voluntários estrangeiros como colonos e, sobretudo, como soldados, que nos parece impossível que o seu governo pense em começá-las outra vez, e muito mais impossível que a Câmara dos Deputados vote as somas consideráveis que elas exigem. Poderíamos dar curiosos detalhes sobre os lamentáveis resultados que tem tido, e deviam ter no Brasil todos esses engajamentos; mas a matéria nos levaria muito longe do nosso assunto; contentar-nos-emos, pois, com dizer em proveito dos brasileiros e dos europeus suscetíveis de se deixarem seduzir pela perspectiva desta expedição, que ela não pode ser concebida, ao menos seriamente, pelo governo: porquanto, quando mesmo ela fosse desculpável, causaria provavelmente a perda da administração que a tivesse ordenado, e, infalivelmente, a desgraça dos que fizessem parte da mesma expedição.

    (…)

    Se vos dignardes, senhor redator, de acolher estas observações, pode ser que a vós nos dirijamos ainda outra vez para entrarmos em novos detalhes sobre os negócios do Brasil, a curiosa e salutar influência do sistema constitucional na conservação de sua integridade, e da sua tranquilidade política, considerada de uma maneira geral, e finalmente sobre o seu jovem imperador, e a educação que a nação lhe manda dar em uma tendência tão liberal quanto sensata.

    Recebei, etc.

    T.

    (Do Jornal do Commercio)

    Blog Cabanagem Redescoberta

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  6. ricardoconduru 25 de julho de 2020 / 20:17

    Sequestro de bens de Eduardo Angelim para indenização à fazenda pública

    Publicação contida no jornal “Diário Novo”, de Pernambuco, nº 279, de 24 de dezembro de 1847, folha 1, trata da precatória enviada do juízo dos feitos da fazenda do Pará para Eduardo Angelim e esposa, que encontravam-se exilados em Fernando de Noronha, referente a sequestro de bens para indenização à fazenda pública, para que alegassem seus direitos.

    PARTE OFICIAL

    GOVERNO DA PROVÍNCIA

    EXPEDIENTE DO DIA 13 DE DEZEMBRO

    Dito – Ao comandante da Ilha de Fernando de Noronha. Remeto a vossa senhoria a inclusa precatória, vindo do juízo dos feitos da fazenda do Pará, afim de que sejam citados Eduardo Francisco Nogueira Angelim, e sua mulher, para virem assinar os dez dias da lei, e alegarem o seu direito ao sequestro que se lhes fizera para indenização do que devem à fazenda pública, devolvendo tudo para ser enviado aquele juízo, segundo requisita o inspetor da tesouraria desta província, em ofício de 13 do corrente.

    Participou-se ao inspetor da tesouraria da fazenda.

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  7. ricardoconduru 27 de julho de 2020 / 00:50

    Pedido de liberdade de Eduardo Angelim vai para o Ministro da Justiça

    Parecer da Câmara dos Deputados sobre requerimento de liberdade feito por Eduardo Angelim, que encontrava-se preso na ilha de Fernando de Noronha, publicado no Jornal Diário do Rio de Janeiro, nº 6893, de 22 de abril de 1845, folha 1

    RIO DE JANEIRO

    CÂMARA DOS DEPUTADOS

    SESSÃO DE 22 DE ABRIL

    Presidência do Sr. Limpo de Abreu

    PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA

    Pareceres adiados

    (…)

    Segue-se a discussão do parecer adiado da comissão de constituição e poderes sobre o requerimento de Eduardo Francisco Nogueira Angelim, que pede ser restituído à liberdade, e retirado do presídio de Fernando [de Noronha] em que se acha. Conclui a comissão o seu parecer, que seja o requerimento do suplicante remetido ao Ministro da Justiça para lhe deferir na forma da constituição e das leis. Este parecer também foi publicado, e é igualmente aprovado sem debate.

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  8. ricardoconduru 27 de julho de 2020 / 16:14

    O Profeta e a falsa notícia do aborto de Luíza Angelim

    Jornal Diário do Rio de Janeiro, nº 171, de 4 de agosto de 1841, trata do deputado imperial Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, citando que o mesmo havia informado o ministro da justiça que a esposa de Eduardo Angelim, Luíza, havia abortado.

    O PROFETA

    O Sr. Antônio Carlos, que este ano tomou a peito fazer progredir a eloquência parlamentar com atrevimentos e voo de águia, depois de falar de tudo, embocou a trombeta do profeta, e as vozes da maldição celeste ressoaram por todas essas serras que rodeiam a pacífica cidade do Rio de Janeiro: os ecos repetiram as palavras velhas do profeta – Quoeretis me el non envenietis, et in peccato cestro moriemini! – Senhor Deus de misericórdia, desviai das submissas cabeças deste povo que vos adora a maldição do profeta, inspirai-lhe comiseração de nós, para o acharmos quando o procuremos, e podermos cantar alegres a antiga copla

    Para bem de todos fica! S. Exa. já havia declarado que não tornaria ao ministério; então pareceu-nos isso protesto do jogador, amuamento de homem político quando sabe do poder, mas agora como duvidar quando o venerando ancião se eleva à ordem dos profetas, condena-nos a morrer no pecado, e pune-nos com sua ausência? Mísero Brasil, tua desgraça é infalível, o insigne estadista que um poucachinho antes de ser profeta, fez-se mensageiro de más novas ao ministro da justiça, noticiando-lhe que havia abortado a mulher de Angelim, – notícia que depois houve por bem declarar que era falsa, – o insigne estadista está determinado a deixar-nos sepultado, e não pretende tirar-nos do lodaçal em que vamos caindo! Enquanto é tempo, corramos a S. Exa. para lhe pedir que entre quanto antes para o ministério, que nos salve: se nos abandona o Sr. Antônio Carlos, o que será de nos?

    (Blog Cabanagem Redescoberta)

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  9. ricardoconduru 27 de julho de 2020 / 16:43

    Citação ao Aviso Imperial para envio de Eduardo Angelim para a ilha de Fernando de Noronha
    Jornal “Diário de Pernambuco”, nº 182, de 21 de agosto de 1841, Dito citando o aviso imperial sobre o envio de Eduardo Angelim para a ilha de Fernando de Noronha

    PERNAMBUCO

    GOVERNO DA PROVÍNCIA

    Expediente do dia 18 do corrente.

    Dito – Ao juiz de direito chefe de polícia da corte, comunicando-lhe que a bordo do brigue Escuna Niterói, chegou o preso Eduardo Francisco Nogueira Angelim, o qual seguirá em ocasião oportuna para a ilha de Fernando, segundo o imperial aviso de 30 de junho do corrente ano.

    (Blog Cabanagem Redescoberta)

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  10. ricardoconduru 28 de julho de 2020 / 16:28

    Desmandos do presidente Soares de Andréa são descritos no jornal de Patroni

    Jornal “Correio do Imperador”, nº 24, de 25 de janeiro de 1838 publica a descrição dos feitos do Presidente legalista do Pará, Soares de Andréa.

    PARÁ

    Porém, outro é o merecimento do presidente do Pará.

    O ter convertido os dinheiros públicos no câmbio vergonhoso do troco do papel, enquanto gemiam na miséria os fiéis servidores do Estado: o ter mandado dar uma roda de pau no infeliz Espinosa em satisfação ao agente de S. Exa., o judeu Aflalo, não servindo de defesa ao desgraçado nem a sua inocência, nem a sua distinção e bons costumes: o ter mandado meter em tronco a todos aqueles que não têm curvado seus joelhos perante o escarnecedor das leis: o ter mandado soltar mediante a proteção de mulheres impudicas vários assassinos, entre estes o malvado Touguinho, feroz ajudante do Eduardo: o ter mandado pagar o quinto da propriedade encontrada na mão dos rebeldes: o ter lançado em calabouço sem a menor sombra de delito ao advogado Joaquim Ignácio de Almeida e Antônio Elias Mendes: o ter feito exalar o último suspiro no porão dum navio ao infeliz Ávila, e ali feito gemer muitos defensores da legalidade, entre estes ao ajudante do corpo de polícia da Vigia, Geraldo Pereira Bentes, e aos desgraçados João Antônio Alves, e Xavier, sem haverem cometido outro crime que não fosse o cair no desagrado de S. Exa.: o ter mandado espancar ao chefe de polícia, e ao doutor Ponce de Leão; ao boticário Albuquerque e outros. Finalmente o ter arrogado a si o direito de suspender o pacto fundamental da nação, roubando as atribuições do poder judiciário, lançando por terra a instituição de juízes de paz, tirando-lhes a autoridade que as leis lhe tem marcado e dando-lhes atribuições marcadas pela sua fantasia, de certo que semelhantes fatos tem tornado o Sr. Andréa um cidadão benemérito!!!

    (Do Paraense nº 7)

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  11. ricardoconduru 29 de julho de 2020 / 19:34

    Proclamação de Francisco Vinagre aos empregados públicos

    Proclamação de Francisco Vinagre publicada no Jornal do Commercio, do Rio de janeiro, nº 219, de 6 de outubro de 1835, endereçada aos empregados públicos, para que retornem às repartições. O chamado se dá poucos dias após a desastrada tentativa de invasão de Belém por forças que apoiavam o cametaense Ângelo Custódio para a presidência da província, haja vista ter sido o mais votado na eleição para a Assembleia Provincial

    PROCLAMAÇÕES

    Empregados públicos de todas as repartições, e mais cidadãos paraenses! A atmosfera política descarregou todo o mal que nos ameaçava, na agressão que sofreu nesta capital, no dia 12 do corrente, das forças vindas do Maranhão, e dos iludidos que a ela se ajuntaram a pretexto de entronizarem a legalidade, como se tão rico pavilhão necessário era elevar-se, banhado no precioso sangue brasileiro. Tudo tem passado, e agora resta-me o convidar-vos para que vos apresenteis, pois que se vós tendes conhecido minhas intenções não devereis duvidar, que convosco exerça toda a minha filantropia. As vossas repartições tem padecido vossa falta, e com elas os interesses da nação e o direito das partes. Não temais e confiai em mim, e nos vossos patrícios em geral, porque desconhecemos a vingança. Viva a religião católica apostólica romana! Viva o Senhor D. Pedro II e a Regência! Viva a Assembleia Geral Legislativa e a Província! Viva o indulgente, valoroso e filantrópico povo e tropa paraense.

    Palácio do Governo do Pará, 16 de maio de 1835. – Francisco Pedro Vinagre, Presidente.

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  12. ricardoconduru 30 de julho de 2020 / 20:43

    Francisco Vinagre informa juizes de paz do Marajó sobre a entrega da presidência´

    Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, nº 201, de 25 de setembro de 1835, reproduz o pedido de Francisco Vinagre ao redator do jornal Mercantil Paraense, para que publicasse circular dirigida aos juízes de paz de localidades do arquipélago do Marajó, informando sobre a entrega da presidência da província do Pará ao Marechal Manoel Jorge Rodrigues, vindo do Rio de Janeiro.

    Ilmo. Sr. Redator do Mercantil Paraense. – Tenha a bondade inserir a inclusa cópia, pelo teor da qual, espero se convençam todos da maneira franca e sincera do meu modo de proceder, relativamente à pessoa de S. Exa., o Sr. Marechal Presidente. Por este obséquio ficarei obrigado ao Sr. Redator.

    “Circular dirigida aos juizes de paz de Muaná, Oeiras, Portel, Melgaço, Colares, Conde-Soure e Beja.

    “Ilmo. Sr. – Acabo de entregar a presidência desta província ao Exmo. Marechal Manoel Jorge Rodrigues, presidente nomeado pelo governo de S. M. o Imperador, o Senhor D. Pedro II, nosso adorado soberano; reina na capital a maior tranquilidade, e S. Exa., o Sr. Presidente me trata bem.

    “Rogo portanto a V. S., como bom patrício e amigo, conserve em obediência e na melhor ordem os povos do seu distritito, porque nisso me fazem a maior honra e serviço, que eternamente agradecerei.

    “Deus guarde a V. S., Pará, 28 de julho de 1835.

    “De V. S. patrício muito afetuoso,

    Francisco Pedro Vinagre”

    (Blog Cabanagem Redescoberta)

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  13. ricardoconduru 31 de julho de 2020 / 21:18

    Francisco Vinagre rebate acusações de que conspirava contra o governo de Manoel Jorge Rodrigues

    Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, nº 201, de 25 de setembro de 1835, publica correspondência de Francisco Vinagre para o redator do jornal Mercantil Paraense, se defendendo contra acusações de que seria chefe de conspiradores juntamente com outros indivíduos de sua família, após a entrega da presidência da província do Pará ao marechal Manoel Jorge Rodrigues.

    Sr. Redator do Mercantil Paraense, – Eu tenho bastante certeza de que homens perversos e mal intencionados assoalham a existência de reuniões conspiradoras contra o governo, e contra a província, afirmando juntamente que os chefes ou cabeças dos conspiradores e da conspiração sou eu e outros indivíduos da minha família.

    Estes homens perigosos e caluniadores, dominados pela inveterada, temível e poderosa paixão do ódio e da vingança tem infeliz e desgraçadamente transmitido males infinitos de pais a filhos, e de famílais a famílias.

    Não os deixa o ódio descançar, nem cuidar da felicidade própria, nem da pátria, porque continuamente estão procurando ocasião de satisfazer suas malvadezas, envenenando até as inocentes ações de pessoas cordatas, para fazê-las odiosas aos olhos do governo; e deste modo só não fazem mal aos outros homens, e a si mesmo, mas até concorrem para aumentar o número dos desconfiados e dos maus.

    O ódio e a vingança destes homens desmoralisados é semelhante ao fogo subterrâneo, que não se conhece senão quando faz o estrago!

    Cumpre-me, por dever de honra, manifestar o sentimento que me aflige, proveniente de tal calúnia, qual esta, que agora me levantam. E também me cumpre dirigir a essas criminosas reuniões (caso por desgraça existam) dizendo-lhes com toda a franqueza, que eu serei o primeiro soldado da pátria que pronto e voluntariamente sacrificarei uma, e mil vidas que tivesse, para debelar traidores e conspiradores contra o bem estar da província, ou contra o suave e patenal governo e pessoa do Exmo. Sr. Marechal Manoel Jorge Rodrigues, atual presidente do Pará.

    Persuadam-se os caluniadores e conspiradores, que nunca aprovarei ofensas feitas aos homens, ainda mesmo em desagravos de outras ofensas recebidas, porque bem conheço o quanto semelhante procedimento sujeita os vingativos à vileza, à vergonha e à vingança da lei quando assim se ofende. Convensam-se uns e outros que o vingar-se qualquer homem de outro, não é restaurar o seu crédito, é fazer-se desacreditado. O mal que se faz aos outros não destroi o mal que sofremos, antes o aumenta, porque nos faz culpados. O sangue não esmalta, antes mancha as mãos de quem os fez verter.

    Fujam e desapareçam até as mais simples ideias de reuniões e conspirações, porque assim evitarão os traidores o castigo dos seus delitos.

    Tenha a bondade, sr. redator, inserir esta pequena correspondência em sua folha pública, de que lhe ficará agradecido o seu venerador patrício e amigo.

    Pará, 1º de julho de 1835.

    Francisco Pedro Vinagre.

    (Blog Cabanagem Redescoberta)

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  14. ricardoconduru 1 de agosto de 2020 / 13:34

    Jornal Mercantil Paraense exalta o presidente legalista Manoel Jorge Rodrigues

    Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, nº 201, de 25 de setembro de 1835, reproduz artigo publicado no jornal “Mercantil Paraense”, onde é feita uma exaltação ao presidente legalista da província do Pará, Manoel Jorge Rodrigues.

    Pará, 2 de julho.

    Graças à Providência, em o dia 25, pelas 2 horas da tarde, saltou o Exmo. Sr. Marechal Manoel Jorge Rodrigues; realisaram-se nossas sinceras esperanças, e mil louvores sejam dados a nossa sorte pela glória de sermos presididos pela suprema legalidade, amada pelos sentimentos livres, de cujos auspícios gozaremos a perfeita justiça. Este quadro foi espantoso, não custou sangue de ambas as partes, custou sacrifícios a este grande ilustre marechal que Deus nos enviou; a sua prudência, a sua política, foram manejadas com arte e servirão de forte barreira à segurança dos amigos da paz. Exultai, exultai, ó paraenses, e pedi aos Deus da paz a conservação do iluste ancião: meditai, ó vós, assassinos de vossa pátria, meditai e encarai com atenção sua respeitável presença, seus feitos da brilhante carreira militar e política, sempre coroado de virtudes, a par de um valor que tantas vezes e em tantos conflitos tem desprezado a morte, como vistes no ponto do Castelo, Trem e Santo Antônio. É este o anjo da paz e da segurança, a quem devemos tudo. Morram os partidos, acabem as discidências e demos exercício à paz!

    (Mercantil Paraense)

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  15. ricardoconduru 4 de agosto de 2020 / 15:01

    Francisco Vinagre entrega a presidência a Manoel Jorge Rodrigues

    Carta particular publicada no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, nº 201, de 25 de setembro de 1835, descrevendo o processo em que o Marechal Manoel Jorge Rodrigues assumiu a presidência da província do Pará.

    06 de julho

    Saímos do Maranhão a 14 do passado, com o batalhão de caçadores nº 4, cuja força apenas chegava a 120 praças, e 5 dias depois, isto é, a 19, chegamos à baia de Santo Antônio, onde se achavam fundeados a Imperatriz, a Defensora e o Cacique, desde 12 de maio, em que esta divisão, comandada por Pedro da Cunha, fôra batida pelos insurgentes. No dia 20, quando a maré enchia, suspendemos com todos os navios, levando a Regeneração a Defensora a reboque, por se achar esta muito arruinada tanto no casco como na mastreação: porém, nesta ocasião encalhou, como de propósito, a Imperatriz; à vista do que o chefe Taylor fez substituir o Pedro da Cunha por Guilherme Eyre, destacando a Regeneração com vários escaleres para desencalhar a fragata, e desta sorte transformou-se o plano delineado pelo mesmo Sr. Taylor; assim mesmo continuamos a navegar , e demos fundo perto da bateria da Barra por começar a vazante: nesta ocasião estivemos sempre a postos, e com os morrões acesos para podermos repelir imediatamente qualquer insulto. No dia 21 tornamos a suspender, e fomos dar fundo defronte da cidade, e perto da bateria de Santo Antônio. Nesta ocasião vieram a bordo várias pessoas do governo intruso e protestaram que o povo queria que o Exmo. Manoel Jorge Rodrigues tomasse parte da presidência: porém como os insurgentes ainda estavam armados, guarnecendo as baterias, e com artilharia nas bocas das ruas, não aceitamos o convite. No entanto, o Sr. Taylor, sôfrego de desempenhar a sua missão, foi disfarçado no dia 22 para bordo da corveta inglesa , que aqui está estacionada, e com os oficiais dela foi à terra examinar as fortificações dos insurgentes, e combinar o plano de desembarque e de ataque, se este fosse necessário. No dia 24 vieram a bordo o comandante dos permanentes e vários ajudantes de ordens do Vinagre, os quais prestaram relevantes serviços à causa nacional, fazendo com que a gentalha se desarmasse e obedecesse ao governo legal; e tanto estes como os juízes de paz que o acompanhavam protestaram ao Sr. Taylor, que o presidente podia desembarcar, e que o povo o desejava ansiosamente. No dia 25, finalmente, veio o próprio Vinagre a bordo com alguns amigos seus, e todos mostravam o maior respeito aos chefes da expedição. Em consequência, ordenou-se o desembarque, indo a nossa força, composta de 460 homens, em 17 escaleres, e dividida em duas divisões. Esta operação se fez na maior ordem possível, e com espantosa rapidez, tendo todos os oficiais desempenhado à risca as instruções do Sr. Taylor. Apenas desembarcados, tomamos todas as posições convenientes, a fim de podermos rechaçar qualquer ataque no caso de traição. O Sr. Taylor foi infatigável no desempenho de seus deveres, já expondo a vida entre os insurgentes, já persuadindo-os com boas palavras a que depusessem as armas e se retirassem ao seios de suas famílias. Indo ao Castelo ele mesmo desarmou toda a gente, e o mesmo fez no Trem, e na bateria de Santo Antônio , onde milagrosamente escapou de morrer à boca de uma peça pronta a disparar. Todavia, ainda não está feito tudo, porque os insurgentes ainda se conservam em vários pontos fora da cidade, tendo a sua testa Antônio Vinagre, irmão do intruso presidente. No entanto, se empreenderem algum assalto à cidade, não lhes poderemos resistir com vantagem, pois o número da nossa gente é diminuto, ainda que todos se acham animados do melhor espírito.

    (Carta Particular)

    Blog Cabanagem Redescoberta

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  16. ricardoconduru 4 de agosto de 2020 / 15:03

    Cidadãos solicitam que John Taylor assuma o comando do Corpo de Guardas Nacionais

    Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, nº 201, de 25 de setembro de 1835, publica carta de cidadãos, comerciantes e proprietários de Belém ao comandante naval John Taylor, para que este assuma o comando do corpo de guardas nacionais.

    Ilmo. e Exmo. Sr. João Taylor, Chefe das Forças Navais.

    Os abaixo-assinados, cidadãos brasileiros, sentindo os males que há tanto tempo pesam sobre sua infeliz pátria, a bela província do Pará, e receando que alguns inimigos da boa ordem e da tranquilidade pública, ainda tentam lançar de novo o pomo da discórdia sobre esta província, e que de novo a levem ao abismo do qual principia a ressurgir, e observando ao mesmo tempo a boa vontade, zelo e atividade com que V. Exa. se tem empenhado constantemente em restituir-nos o sossego, e desterrar dentre nós a anarquia e a guerra civil; por isso, os abaixo-assinados, penetrados do maior respeito e gratidão para com V. Exa., que animam a suplicar-lhe, queira prestar-lhe sua coadjuvação, rogando ao Exmo. Sr. Presidente desta província a criação do corpo de guardas nacionais (ou com qualquer outra denominação), cujo corpo sendo organizado dos bons brasileiros nascidos dos dois hemisférios, se tornará respeitável e capaz de suplantar qualquer tentativa que os inimigos do sossego público pretendam por em ação; e para que se tornem mais vantajosos os bons desejos dos abaixo-assinados, eles rogam a V. Exa. que faça a honra de ser o comandante do dito corpo durante a sua estada nesta província, porque sendo ele organizado debaixo das sábias e ativas ordens de V. Exa., com oficiais de sua escolha, os abaixo-assinados tem a certeza de que esta cidade será salva e isenta dos males que a tanto tempo a oprimem, e que tem feito a desgraça de tantas pessoas e famílias; e por este bom serviço, V. Exa. merecerá as bençãos de todos os brasileiros, e será tido em muito grande consideração por S. M., o Senhor D. Pedro Segundo. Os abaixo-assinados esperam que V. Exa. fazendo-lhe a honra de se encarregar desta presente súplica, se dignará de levá-la ao conhecimento do Exmo. Sr. presidente da província, e se lisonjeiam que igualmente serão atendidos pelo mesmo Exmo. Presidente, à vista do exposto e mais ainda do estado de oscilação em que se acha esta cidade e seu distrito.

    Cidade de Belém do Pará, 7 de julho de 1835. Assinado por vários cidadãos em número de 200 até 300, entre os quais entram os primeiros negociantes e proprietários desta cidade.

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  17. ricardoconduru 6 de agosto de 2020 / 14:29

    Manoel Jorge Rodrigues anuncia sua posse na presidência da província do Pará

    Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, nº 201, de 25 de setembro de 1835, publica proclamação de Manoel Jorge Rodrigues, informando que assumiria a presidência da Província do Pará no dia 24 de julho de 1835. Vale ressaltar que o desembarque do Marechal acabou ocorrendo somente no dia 25, segundo Domingos Raiol (Motins Políticos, segundo volume, página 727, editora da UFPA/1970).

    Paraenses! O vosso presidente nomeado pela Regência do Império em nome do Imperador, o Sr. D. Pedro II, para restabelecer a lei, vai achar-se entre vós amanhã; confiai que ele cumprirá a sua comissão exatamente, sem que jamais se afaste da mesma lei. Vós tendes presenciado a sua conduta a fim de chamar-vos ao jugo dela pela suavidade, e espera que correspondereis aos seus sentimentos.

    Viva a religião católica apostólica romana! Viva a constituição! Viva ao nosso Augusto Imperador, o Sr. D. Pedro II! Vivam os bons paraenses!

    Bordo da Fragata Campista, 23 de julho de 1835. – Manoel Jorge Rodrigues.

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  18. ricardoconduru 6 de agosto de 2020 / 16:48

    Manoel Jorge Rodrigues proclama pelo fim da anarquia

    Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, nº 201, de 25 de setembro de 1835, publica proclamação do presidente legalista Manoel Jorge Rodrigues, do dia da sua posse, exortando que seja cessada a anarquia.

    Paraenses! Na capital de vossa bela província impera a lei: o vosso presidente nomeado pela regência do império em nome do Imperador Sr. D. Pedro II, tomou hoje posse do governo: este ato foi espontâneo, não custou sangue brasileiro, e o vosso presidente espera que cesse a anarquia nos pucos lugares onde infelizmente reina, que seus habitantes passem a gozar da tanquilidade de que já desfruta esta capital, e que os cidadãos dispersos voltem ao seio de suas famílias, e ao cuidado de suas casas, para que a agricultura e o comércio tornem a florescer. Paraenses! Cessem as intrigas e os partidos, e o passado só se recorde para afastarmos de nós o feroz e devorador monstro da anarquia: sejam a lei e a prosperidade geral o nosso norte. Magistrados civis, juízes de paz, estou seguro de que previnireis os delitos para não serdes obrigados a castigá-los. Militares! Se quereis ser sempre dignos deste honroso nome, que importa o de defensor da pátria, do soberano e das leis, é preciso que sejais exemplares executores das mesmas leis, que vos lembreis, que sendo defensores da constituição a destruís influindo nos negócios políticos, e que a subordinação é a base da disciplina, tão necessária à boa ordem.

    Viva a religião católica apostólica romana! Viva a Constituição! Viva o nosso jovem imperador! Viva a nação brasileira! Viva os bons paraenses!

    Cidade de Belém, 25 de junho de 1835.

    Manoel Jorge Rodrigues(Mercantil Paraense)

    Blog Cabanagem Redescoberta

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