A cabanagem prossegue

Passei quase um ano publicando matérias sobre a cabanagem, preparando uma edição especial sobre a revolta popular para a data da sua eclosão, 7 de janeiro (de 1835). O dia passou e apenas O Liberal registrou a data, em uma matéria apressada, que me permite achar que se “inspirou” no Jornal Pessoal. E nada mais. É inacreditável.

Uma data redonda, como esses 180 anos, devia ser aproveitada para lembrar o fato histórico, difundi-lo mais, estimular sua abordagem por novos autores, reeditar obras importantes, promover debates e assim forçar a literatura histórica nacional a mudar sua atitude de ignorância colonial sobre o que aconteceu por aqui entre a falsa adesão à independência, em 15 de agosto de 1823, e a anistia imperial, em 1840.

Mas se nem na Belém na qual tudo começou a memória já é fugidia, quando não falsa, o que fazer? Ainda há mais 11 meses pela frente antes que passe a data atrativa. De minha parte, decidi manter este blog e agregar-lhe novas contribuições até que eu próprio esteja em condições de oferecer um produto mais sólido aos meus leitores: um verdadeiro livro de informações e análises sobre o ciclo das revoltas nativistas.

Seu período de abrangência vai de 1821 a 1840, cinco anos além da cronologia fixada por Domingos Antonio Raiol, o barão do Guajará, no seu clássico Motins Políticos, ainda a maior obra sobre a cabanagem, um século e meio depois que foi escrito.
Raiol percebeu que acabara antes do tempo e escreveu um novo volume, abordando a repressão do império brasileiro à rebelião paraense. Infelizmente o manuscrito se perdeu num naufrágio. Talvez tenha sido a maior perda sofrida pela literatura cabana.
Espero que este blog sirva de estímulo a novos interessados por esse incrível fato histórico, o mais omitido de todos pela historiografia nacional. E que o leitor continue a me acompanhar.

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5 comentários sobre “A cabanagem prossegue

  1. Fernando Matos 22 de janeiro de 2015 / 16:43

    Não por coincidência, meu Grupo de teatro (Encenação Cultural do Pará) que, há 08 anos, interpreta o Espetáculo “CABANOS – UMA VIAGEM NO TEMPO”, ainda não encontrou apoio em nenhum dos órgãos do governo ou mesmo diante dos veículos de comunicação do nosso Estado, vem, desde então, ressaltando nos palcos de nossa cidade, esse tão importante episódio da nossa história… E é assim mesmo, ninguém parece dar a mínima importância aos 180 anos ao fato histórico e difundi-lo como fazem outros Estados referentes às revoltas ocorridas.

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    • Lúcio Flávio Pinto 24 de janeiro de 2015 / 14:16

      Persista, Fernando. É sempre assim: a cultura que morde, diferentemente daquela que assopra (sobretudo os poderosos), não é bem vinda. Por isso mesmo, é vital.
      Você podia mandar o texto da peça para ver se posso dar-lhe alguma divulgação?

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    • otto mendes 27 de janeiro de 2015 / 12:52

      caro Fernando, o Estado quer é esquecer a Cabanagem, com medo que ela inspire o povo novamente!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Phellipe Marques 25 de fevereiro de 2015 / 12:42

    Sinta-se convidado a assistir ao Espetáculo CABANOS – UMA VIAGEM NO TEMPO, Lucio. Sou ator e produtor do Grupo Encenação e o maior desafio do grupo é reviver o espírito dos cabanos no palco e que isso venha a inspirar novas gerações a “gritar” pela “liberdade”.

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    • Lúcio Flávio Pinto 25 de fevereiro de 2015 / 17:54

      Obrigado, Phelipe. Pode fornecer os dados sobre o espetáculo para todos os frequentadores do blog?

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