Cronologia da Cabanagem (1)

[1820 – 1831]

1820

Dezembro, 10 – Chega a Belém a notícia da convocação das cortes portuguesas sob uma monarquia constitucional.

1821

Janeiro, 1 – Movimento de adesão à revolução constitucionalista do Porto: uma junta constitucional de nove membros é eleita. Felipe Patroni é nomeado para fazer a comunicação às cortes.

Novembro – Circular escrita por Patroni, trazida de Lisboa, faz a propaganda da independência do Brasil. Seus portadores, os irmãos Vasconcelos são presos, processados e deportados para Portugal.

Dezembro – Chega a Belém a primeira tipografia e o primeiro tipógrafo, com a missão de publicar um jornal em favor da independência.

1822

Janeiro – Patroni volta ao Pará.
Eleição de uma nova junta constitucional, agora de nove integrantes.

Abril – Chega a Belém o brigadeiro José Maria de Moura, vindo de Pernambuco. Ele assume o comando das armas.
Começa a circular o jornal O Paraense, com ataques à junta e propaganda da independência.

Maio – Patroni é preso e obrigado a deixar a direção de O Paraense. É substituído pelo cônego Batista Campos. O jornal não deixa de circular.

Setembro – Batista Campos e outras cinco pessoas, adeptos da independência, são presos por ordem da junta.

Outubro – Os seis presos são soltos: o conselho de justiça criminal os absolve.
Atentado contra Batista Campos, que é ferido.

1823

Janeiro – O comandante das armas é demitido, mas permanece no cargo.

Fevereiro – Uma tropa paraense de 200 homens vai ajudar os portugueses do Maranhão.
Eleição para a Câmara Municipal de Belém. Nenhum português é eleito. Todos os vereadores são favoráveis à independência nacional. Os portugueses tentam impugnar a eleição. A junta não concorda.

Março, l – Golpe dos negociantes portugueses com o apoio dos chefes militares. A junta e a câmara são dissolcidas e seus membros presos. Antigos vereadores são recolocados nos cargos. Nova junta é formada. Dezesseis pessoas são deportadas.
Formação de duas milícias, uma de artilharia e outra de cavalaria, por negociantes portugueses.

Abril – Revolta militar pró-independência é rapidamente sufocada devido à hesitação de seus líderes.

Maio (junho) – Alguns integrantes da junta administrativa pedem a pena de morte para os conspiradores. A junta de justiça os condena. O bispo consegue suspender a aplicação da pena, que o comandante das armas tenta sustentar. Mas a maioria dos oficiais é contra. Os 271 presos seguem para Lisboa. A maioria morre na viagem. Os sobreviventes são soltos na capital portuguesa após seis dias de prisão.
D. Romualdo Coelho traz a notícia de que as cortes foram dissolvidas. Arrefece o ânimo dos portugueses.

Maio, 28 – Adesão do Pará à independência é proclamada em Muaná, na ilha do Marajó. O movimento é reprimido com violência.

Agosto, 10 – O inglês John Grenfell fundeia em frente a Belém com a ordem do governo do Rio de Janeiro de obter a adesão do Pará à independência. A adesão é aprovada no dia seguinte pelo conselho municipal, convocado pela junta.
15 – Solenidade formal de juramento da adesão.
17 – Eleição da nova junta, composta por quatro militares e um religioso, três favoráveis a Portugal e dois à independência.

Outubro, 15 – Rebelião de soldados e civis para demitir e deportar os portugueses contrários à independência, armar o povo e fazer de Batista Campos o presidente da junta. O movimento dura dois dias e é violentamente sufocado pelas tropas de Grenfell.
17 – A tragédia: 252 dos 256 rebeldes que estavam presos morrem asfixiados nos porões do brigue Palhaço, fundeado em frente a Belém.
Revolta de Cametá e de quase todo o baixo Tocantins. Para combatê-la, o governo é obrigado a devolver as armas à “soldadesca”.

1824

Janeiro, 26 – É controlada uma tentativa de golpe pelo major Inácio Oliveira, inspetor do Trem de Guerra, para depor a junta.

Fevereiro – Demissão dos empregados civis e militares portugueses.

Março – Portugueses recalcitrantes são embarcados de volta a Portugal. É concedida anistia geral aos sublevados e aprovados os atos da Câmara Municipal de Cametá.

Abril – Cametá volta à normalidade, após seis meses em estado de sublevação.

Chegam a Belém remanescentes da Confederação do Equador, movimento republicano que irrompeu em Pernambuco.

27 – Membros da junta são presos pelos confederados. É eleito novo governo provisório. Chega a Belém o primeiro presidente da província, enviado do Rio de Janeiro, José de Araújo Rozo.

Maio – Rozo acumula o poder civil com o militar porque o comandante das armas é impedido de tomar posse. Não reconhece o conselho anterior e convoca novas eleições. Manda prender os acusados de ideias republicanas. Readmite portugueses na administração pública. Estimula a volta de deportados.

Agosto – Batista Campos é absolvido pela justiça no Rio de Janeiro e volta a Belém. Combate a administração de Rozo. Condena o impedimento do comandante das armas.

Setembro – Batista Campos é novamente preso, acusado de ideias republicanas.

Dezembro – Motim de soldados no palácio do governo. Eles relutam em devolver as armas e entregar-se. Ainda é viva a memória do episódio de mortandade no brigue Palhaço. A maioria foge, mas é presa.

Araújo Rozo desterra seus inimigos para o Ceará e o Rio de Janeiro. Acusa-o de participação no motim dos soldados.

1825

Janeiro – Decreto da corte substituindo Araújo Rozo.

Março – Batista Campos é novamente enviado preso para o Rio de Janeiro. Um ano depois seria absolvido e nomeado arcipreste e cavaleiro. Voltaria ao Pará em julho para assumir a direção da catedral.

Maio – Toma posse o novo presidente da província, José Felix Pereira de Burgos.

1826

Abril, 25 – Rebelião em Cametá, comandada por dois soldados desertores. Eles vencem a batalha contra a expedição militar enviada de Belém, mas são controlados pelos portugueses, que conseguem escapar à prisão e atacam de surpresa, valendo-se de traição entre os rebeldes.

Maio – Arbitrariedades são praticadas no curso da apuração sobre os envolvidos na rebelião de Cametá.

Novembro – O ouvidor Mariano Ferreira, adepto de ideias políticas mais avançadas, é suspenso pelo presidente da província. Tenta resistir, mas o conselho provincial aprova a suspensão.

1828

Abril, 14 – Posse do novo presidente da província, o barão de Bagé.

1830

Julho, 14 – Pereira de Burgos volta ao governo da província, já como barão.

Novembro – O brigadeiro José Soares Andrea assume o comando das armas.

1831

Maio – Tentativa de afastar Andrea do comando das armas.

Junho, 2 – Motim de 34 soldados é dominado pela tropa com o auxílio de portugueses armados, que formam depois a guarda nacional e ficam com o controle dos armamentos e da munição.

Junho – Mesmo demitido, Burgos não deixa a presidência para não entregá-la a Batista Campos, que era vice-presidente. Também demitido, o brigadeiro Andrea segue para o Rio de Janeiro.

Julho – Organização da Sociedade Patriótica, Instrutiva e Filantrópica, sociedade secreta liderada por Batista Campos.

Julho, 19 – Toma posse o novo presidente da província, o visconde de Goiana.

Agosto, 7 – Golpe militar articulado pelos portugueses depõe o presidente da província, prende e deporta Batista Campos e mais nove pessoas. Marcelino José Cardoso assume a presidência.

Setembro – Reação portuguesa em Santarém, com perseguição aos nacionais. O governo envia uma expedição militar à vila para restabelecer a ordem.

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4 comentários sobre “Cronologia da Cabanagem (1)

  1. Renata Corrêa 5 de novembro de 2014 / 13:48

    Lúcio, gosto muito de suas publicações!
    Acho que você é um exemplo a ser seguido! Parabéns pelo trabalho!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Fernando Martins de Souza 10 de novembro de 2014 / 11:57

    Só de imaginar, de fazer viva as cenas da tragédia do brigue palhaço em minha mente, me causa grande comoção e esclarece consideravelmente a atmosfera efervescente, a ordem injusta e opressora instituída na capital paraense nessa época. Como educador, tenho plena certeza de que o espirito Cabano precisa ser liberto e reencarne novamente na identidade do povo paraense para que as tenebrosas intenções coloniais dos “donos do mundo” não encontrem terreno tão fértil como ocorre por essas bandas. Nossa história foi “enterrada” e minimizada nos livros e na historiografia oficial, mas a Cabanagem vive e Ela ei de animar novamente essa região sofrida e castigada que é a Amazônia. Obrigado por essas valiosas informações. A luta continua.

    Curtido por 1 pessoa

    • Lúcio Flávio Pinto 21 de novembro de 2014 / 15:19

      Graças a vocês, a luta continua. Espero que tornando a Cabanagem mais conhecida e compreensível.

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